
Recuperando joias do passado. “Grampear telefone é um crime que só a Justiça pode autorizar” (Jesus Rocha).
AUMENTAM AÇÕES JUDICIAIS POR CANCELAMENTO DE VOOS
A aviação civil brasileira é, ao mesmo tempo, quase um caos e eficiente. É verdade que os passageiros, em geral, são bem tratados, mas viajam em cadeiras estreitas e a comida que servem é ruim, além de terem que fazer conexões nem sempre lógicas. Portanto não é de espantar que o Brasil tenha uma média de 443 processos por dia por conta de cancelamentos de voo por companhias aéreas. Só de janeiro e julho deste ano, a Justiça registrou 94 mil casos novos. Entre 2022 e 2023, houve uma alta de 47% com os processos saltando de 100 mil para 148 mil processos. Os dados são do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). São Paulo, em 2024, desponta com o maior número de ações, com a média de 68 processos dia. Depois vem o Rio de Janeiro, com 50 casos diários, e a Bahia, com 35. Em Rondônia a média de 24 ações judiciais por dia e 4.982 casos em 2024 é também considerada alta. Nos últimos dois anos, o aumento foi de 38%, saindo de 10.788 para 14.938 processos. Outros estados que tiveram aumentos acentuados foram o Amazonas, de 2 mil para 5 mil, e o Mato Grosso, de 5 mil para 10 mil. O Pará foge do comum ao ter somente 9 processos por dia. O Mato Grosso do Sul é a única federação que registrou queda, de modo que o total de ações novas diminuiu de 1,8 mil para 889. É verdade que só em parte a culpa é das companhias aéreas, mas elas penalizam, por problemas operacionais e burocracia, os seus clientes, daí os problemas. Este quadro se agrava também pela falta de uma aviação regional, em especial na Amazônia.
AVIAÇÃO VAI E VOLTA
Por falar em aviação na Amazônia (mostrando que o que já é ruim pode ficar muito pior), mesmo com as chuvas fortes na região nos últimos dias, não se alterou muito as condições atmosféricas, com alarmes sobre a qualidade do ar e os impactos na saúde da população, além de impedir a operação de voos comerciais. Esta questão recorrente se mostrou em toda sua plenitude com o voo LATAM 3250, que saiu de Brasília para Rio Branco, no Acre, no último dia 4. O avião decolou por volta das 22h20 de Brasília, porém sem condições de pousar nos aeroportos da região acabou pousando no mesmo local de origem às 02h20 da madrugada. Não deve ser nada agradável voar, ou pelo menos, permanecer cerca de quatro horas num avião para voltar de onde saiu. Coisas do Brasil, um país continental burocratizado e provinciano, além de atrelado ao passado.
A NOVELA DA RECUPERAÇÃO INTERMINÁVEL DA BR-319
E a novela sem fim da BR-319 ganha mais um capítulo com a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que revogou, na segunda-feira (7), a liminar que suspendia a reconstrução e o asfaltamento do trecho central da BR-319. A decisão, do desembargador Flávio Jardim, anulou a decisão liminar da 7ª Vara Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas (SJAM). O desembargador esclareceu que a licença prévia para a obra só estabelece condições, mas não autoriza seu início imediato. Assim, a liminar extrapolou este entendimento, validando a licença prévia para o asfaltamento. Ao menos, o que não serve de consolo, mas mostra o descaso com a questão, desembargador Jardim criticou a duração das discussões entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Ibama, que já se estendem por mais de 15 anos! Isto só de discussão, mas o fato real é que já se estende por mais de 20 anos a recuperação do asfalto de uma estrada que é a única que liga Manaus a Porto Velho e, consequentemente, ao restante do país.
PRODUTORES DE SOJA ENFRENTAM, EM 2024, UM CENÁRIO DE INCERTEZAS
O cenário previsível para a safra de soja 2023/2024 no Brasil está cercado de incertezas. Em especial por causa das regiões produtoras tradicionais do Mato Grosso e do Sul do Brasil, que enfrentam grandes desafios como a necessidade de modernização da infraestrutura e a dependência de insumos importados, que elevam os custos de produção. Esta a razão também, aliada às variações climáticas, para as divergências entre as previsões das consultorias. A StoneX projeta uma produção de 151,5 milhões de toneladas, a AgResource de 143,92 milhões de toneladas, alegando queda de produtividade em algumas regiões e o Rabobank, o mais otimista, prevê uma safra de a163 milhões de toneladas e um aumento de 2,5% na área plantada em relação à safra anterior. A disparidade nas previsões reflete a complexidade do cenário agrícola atual, onde os custos, os preços externos e o clima, entre outros fatores, estão impactando a produção e fazendo com que os produtores tenham mais cautela nos seus projetos.
AUMENTO DA RECARGA CONSOLIDA CRESCIMENTO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS
Em setembro, consolidando o crescimento da eletromobilidade, foram vendidos 13.265 veículos leves eletrificados, enquanto a infraestrutura de recarga elétrica pública superou a marca de 10 mil eletropostos em agosto. De forma que no acumulado de janeiro a setembro de 2024, foram emplacados 122.548 veículos leves eletrificados, o que representa uma evolução de 113%, na comparação com o mesmo período de 2023 (57.510 veículos). O presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos- ABVE, Ricardo Bastos, comemorou o fato afirmando que “Mais uma vez, os números confirmam as nossas avaliações: o aumento das vendas de veículos eletrificados está puxando um amplo ecossistema de empresas associadas à eletromobilidade nas principais regiões do país”. Quase no final do ano, a média mensal de vendas de eletrificados é de 13.616, o que projeta um total no ano acima de 150 mil unidades. Com isto, a frota brasileira de eletrificados deve se aproximar dos 400 mil veículos.