A mãe de uma menina de 14 anos que foi encontrada morta em "estado esquelético" se declarou culpada em conexão com sua morte. (PCHS)
Um caso de extrema crueldade chocou as autoridades da Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. Julie Miller (foto) foi presa e acusada de negligência infantil resultando em morte após sua filha, Kyneddi Miller, ser encontrada sem vida em um estado de desnutrição severa, descrito pelos investigadores como "esquelético". A adolescente morreu em uma situação degradante, comparada por promotores a sobreviventes de campos de concentração devido à magreza extrema.
Para compreender a gravidade do caso, os investigadores estabeleceram uma cronologia dos fatos que mostra como a adolescente foi esquecida pelo sistema:
- Em 2021: Aos 11 anos, Kyneddi foi retirada da escola presencial para o regime de ensino doméstico (homeschooling), perdendo o contato com o mundo exterior.
- Abril de 2024: Após quase quatro anos de isolamento, a menina foi encontrada morta aos 14 anos.
- Abril de 2024 (Prisões): Julie Miller e os avós da menina, Jerry e Donna Stone, foram detidos e acusados de negligência infantil resultando em morte.
- Outubro de 2025: Diante das provas esmagadoras, Julie Miller aceitou um acordo judicial e declarou-se culpada perante a justiça.
- Fevereiro de 2026: Esta é a data prevista para a audiência final de sentença, onde a acusada pode receber uma pena de 15 anos à prisão perpétua.
Kyneddi Miller, tinha 14 anos, foi encontrada morta no chão do banheiro de uma casa em Morrisvale em 17 de abril de 2024. Os investigadores descreveram a condição da menina como "emaciada a um estado esquelético". (Foto Cortesia)
De acordo com os relatórios policiais e documentos do tribunal, a criança vivia em condições de isolamento quase total. A investigação apontou que a menina raramente era vista fora de casa. Testemunhos indicaram que a privação de alimentos era utilizada como uma forma sistemática de "punição" e controle. O exame médico confirmou que a causa da morte foi inanição (fome extrema).
A acusada chegou a alegar que a menina tinha "distúrbios alimentares" para justificar sua aparência, mas as provas mostraram que não houve qualquer tentativa de assistência médica ou nutricional nos últimos quatro anos de vida da jovem. O caso reabriu o debate sobre a fiscalização de crianças que são retiradas da escola para o ensino doméstico, já que o isolamento facilitou que o crime passasse despercebido por tanto tempo.
Reflexo de um crime similar
O caso guarda semelhanças assustadoras com um crime ocorrido em Ubatuba, no litoral de São Paulo, onde uma menina também morreu após ser obrigada a jejuar como "punição". Em ambos os episódios, o isolamento social e o uso da comida como ferramenta de tortura foram os elementos centrais que levaram à tragédia.
Julie Miller permanece presa sem direito a fiança, aguardando a sentença final marcada para o próximo mês.
Redação Diário O Norte
