Ícones das calçadas brasileiras por décadas, os telefones públicos — popularmente conhecidos como orelhões — estão com os dias contados. O processo de retirada dos aparelhos já começou e a previsão é que, até o final de 2028, eles desapareçam completamente da paisagem urbana. Em Rondônia, o cenário não é diferente: estima-se que restem hoje pouco menos de 300 aparelhos em todo o estado, com a maioria concentrada em pontos esporádicos e de grande circulação.
A mudança é impulsionada pela evolução tecnológica e por uma alteração significativa na legislação. Desde 2019, uma nova lei permitiu que o serviço de telefonia fixa passasse do regime de concessão para o de autorização. Na prática, isso livrou as operadoras da obrigação de manter aparelhos em locais sem viabilidade econômica, focando agora em investimentos para banda larga e tecnologia 5G.
Realidade em Porto Velho e Interior
Na capital, Porto Velho, os orelhões tornaram-se raridades, sendo encontrados quase exclusivamente em locais esporádicos e de grande circulação de pessoas. Muitas unidades que ficavam em calçadas e praças foram removidas durante processos de reformas e novas construções, não sendo mais repostas.
Já no interior do estado e em distritos ao longo da BR-364, onde a cobertura de celular ainda enfrenta desafios, os aparelhos ganham uma sobrevida. Nestas áreas, a Anatel determinou que os telefones públicos devem permanecer ativos até 31 de dezembro de 2028 para garantir a comunicação básica da população.
Do auge ao esquecimento
O declínio é visível nos números nacionais. Em 2020, o Brasil contava com cerca de 200 mil orelhões; hoje, restam apenas cerca de 38,3 mil unidades funcionais. O avanço da telefonia móvel justifica o desuso: dados do IBGE apontam que quase 90% da população brasileira acima de 10 anos possui celular próprio.
Para muitos rondonienses, a despedida traz nostalgia. Antes da era digital, colecionar cartões telefônicos e enfrentar filas para usar o "telefone da esquina" fazia parte do cotidiano. Agora, o design curvo que marcou as cidades passará a existir apenas em registros históricos e na memória de quem viveu a era pré-celular.

