A derrota por 1 a 0 para o Botafogo-SP, na noite deste domingo, deixou lições amargas para Abel Ferreira. Em uma análise franca e sem rodeios, o comandante alviverde não fugiu da responsabilidade pelo desempenho abaixo da média e utilizou a coletiva para enviar recados claros à diretoria. Ao optar por uma formação alternativa, o técnico defendeu a necessidade de rodar os jovens talentos, mas admitiu que a "exibição ruim" expôs carências que o clube ainda não sanou no mercado.
Com a objetividade que lhe é característica, Abel foi pragmático ao tratar das lacunas deixadas por saídas recentes. Sem citar nomes, ele usou uma analogia simples para cobrar a reposição de peças fundamentais, especialmente no setor de criação após a despedida de Raphael Veiga. Segundo o treinador, a matemática do futebol não permite ilusões: se o elenco perdeu protagonistas, o equilíbrio só será retomado com novas contratações. "É fazer contas", resumiu o português, reforçando que, embora as negociações ocorram internamente, é ele quem precisa justificar os resultados diante da imprensa e da torcida.
Taticamente, o técnico identificou um Palmeiras burocrático e sem repertório para furar o bloqueio adversário. Mesmo com o domínio da posse de bola, a equipe pecou pela falta de criatividade e pela má tomada de decisão no último terço do campo. Abel compreendeu a frustração das arquibancadas, reconhecendo que a régua de exigência no clube é alta e focada em títulos, o que torna qualquer revés um motivo de alerta imediato.
Apesar das críticas severas ao rendimento coletivo, o treinador evitou apontar culpados individuais, protegendo jovens como Luighi, que teve a chance do empate nos pés. Abel reiterou que a maturidade de jogo só virá com a sequência de oportunidades e que o preço desse entrosamento, por vezes, é pago com resultados adversos. Sobre a arbitragem, o comandante deu indícios de insatisfação, mas preferiu o silêncio para evitar novas punições, focando o discurso no que o time deixou de produzir.
Redação Diário O Norte
