A Polícia Civil do Estado de Rondônia, por intermédio da 1ª Delegacia de Polícia de Cujubim e da Delegacia Regional de Ariquemes, deflagrou a Operação Águia na tarde desta sexta-feira (22). A ofensiva tática, que contou com o apoio operacional da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Alto Paraíso, cumpriu uma ordem de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão. Os alvos são acusados de integrar uma célula armada de uma facção criminosa com forte atuação na Região do Vale do Jamari.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho após meses de investigações sigilosas conduzidas pelo setor de inteligência. O bando é investigado pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e constituição de organização criminosa armada.
Monopólio, extorsão e o "Tribunal do Crime"
De acordo com o relatório técnico da Polícia Civil, os investigados tentavam instituir uma espécie de "poder paralelo" no município de Cujubim. A organização criminosa impunha o monopólio da comercialização de substâncias entorpecentes na região e cobrava taxas de extorsão mensais — denominadas internamente como "caixinha" — de pequenos traficantes e até de proprietários de estabelecimentos comerciais locais.
Para garantir a manutenção do esquema e silenciar possíveis delatores, a célula mantinha uma estrutura de coerção rigorosa baseada no chamado "Tribunal do Crime" ou "Conselho de Disciplina". O grupo utilizava métodos cruéis para aterrorizar os moradores, aplicando penas informais que incluíam sessões de espancamento, tortura física, expulsão sumária de propriedades e execuções sumárias para quem desobedecesse aos decretos da facção ou tentasse colaborar com as forças de segurança pública.
Monitoramento estratégico e origem da operação
O nome "Operação Águia" foi escolhido pela coordenação policial em alusão à capacidade de monitoramento velado e à visão técnica e aguçada das equipes de investigação, que conseguiram desenhar o organograma hierárquico e as funções de cada membro do bando. O termo faz referência direta, ainda, a uma rua de Cujubim mapeada pelas equipes de campo, endereço que servia como ponto de encontro estratégico e residência de lideranças expressivas do grupo.
Os materiais apreendidos nas buscas foram lacrados e encaminhados para a delegacia de polícia, onde serão submetidos a exames periciais para subsidiar a continuidade do inquérito e a identificação de ramificações. A Polícia Civil de Rondônia reiterou que a colaboração da sociedade é um ativo fundamental para o desmonte de quadrilhas e relembrou que denúncias anônimas podem ser registradas com garantia de sigilo absoluto por meio do telefone de emergência 197.
Redação Diário O Norte
