
A ignorância está escondida num vasto oceano. “O conhecimento é uma ilha cercada por um oceano de mistério. Prefiro o oceano à ilha” (Ludwig Wittgenstein).
REALIDADE DE RONDÔNIA
A política tem dessas coisas. E aqui não estou fazendo nenhum juízo de valor, mas, constatando o fato de que o vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves, publicou o que diz ser um episódio de uma série intitulada “Realidade de Rondônia”, mostrando denúncias sobre a situação da saúde pública no estado. No vídeo, os profissionais e os pacientes ressaltam as condições ruins da saúde pública: falta de remédios, materiais hospitalares e os problemas para se ter um bom atendimento em unidades de saúde. O que, porém, mais salta aos olhos são as críticas que envolvem
falhas administrativas e da falta de planejamento e, por fim, que chame de “governo preguiçoso” ao fazer apelo por mudanças no sistema de saúde de Rondônia. Que causou polêmica causou, mas, confesso que a crítica perde força por envolver uma questão pessoal. A situação da saúde não mudou quase nada entre o tempo que o vice era secretário e agora. E depois de tanto tempo que o vice governou junto criticar o governo fica parecendo, e é, uma questão de relacionamento. Aliás, problemas entre governador e vice não são novos na política de Rondônia. Esta nota, aliás, provém do fato de que me pediram para analisar o fato, porém, como se trata de briga de macaco grande não vou meter a colher. O que penso é que criticar a saúde, agora, para um espectador neutro, fica meio sem sentido. Como também taxar o governo de “preguiçoso”. Isto todo governo é, por definição, tanto que dizem ser igual a elefante: só se mexe quando cutucado. Ao meu ver o vice, que tem seus méritos, inclusive em alguns acertos do governo, poderia fazer uma critica bem melhor a respeito de outros setores que não tiveram a atenção devida. Em particular na questão do futuro do estado, como, um exemplo bem recente, foi a inércia diante da concessão da BR-364. Outra coisa que parece não ser coerente é que atirar no governo é um tiro no próprio pé na medida em que endossou o governo por muito tempo e o governador não é candidato a nada. Mas, o que sei eu. Cada um sabe onde o sapato aperta.
TICKET MÉDIO DO DIA DAS MÃES VEM CAINDO
Um novo estudo da GestãoClick sobre o Dia das Mães no varejo brasileiro nos últimos cinco anos (2021–2025) revela uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro: embora o volume de compras continue crescendo, o valor gasto por pedido está diminuindo, o que já impacta diretamente a rentabilidade do varejo. A análise mostra que o ticket médio caiu de R$ 314,00 em 2024 para R$ 298,00 em 2025 (-5,1%), enquanto o e-commerce registrou um crescimento de 26% no mesmo período, atingindo um faturamento recorde de R$ 12,58 bilhões. O movimento indica que o consumidor não deixou de comprar, mas passou a ser muito mais racional na hora de comprar, pois pesquisa, compara preços e faz suas compras em diferentes canais. Aqui, em Rondônia, uma sondagem da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO revela que, em 2026, 53% dos consumidores pretendem comprar presentes no Dia das Mães, enquanto 32% afirmam que devem gastar mais ou muito mais do que em 2025 e a entidade estima que isto deve gerar um faturamento de cerca de R$ 292 milhões com um ticket médio estimado de R$ 173,00, abaixo do que se espera em nível nacional.
CREDIÁRIO CRESCE 14,6% NO 1º TRIMESTRE
O Banco Central divulgou que o cartão de crédito consome 54% do orçamento familiar dos brasileiros, 40% a mais do que os 38,5% registrados em 2020, com os juros da modalidade comprometendo 6,3% da renda dos brasileiros. É o avanço deste custo, em especial no crédito rotativo, que tem pressionado o orçamento das famílias e impactado no consumo no país. Com juros elevados e menor previsibilidade no uso do cartão, parte dos consumidores tem migrado para o financiamento com parcelas fixas e prazo definido, como o crediário no ponto de venda. Isto é visível no levantamento da Top One Financeira onde se vê que o volume de vendas via crediário cresceu 14,6% no 1º trimestre de 2026 frente a igual período de 2025, com ticket médio de R$ 1.543,00 por operação. A taxa de aprovação permaneceu estável no período, enquanto o comprometimento médio de renda dos consumidores ficou em 15,5%, sinalizando uma manutenção de critérios mais rigorosos diante da maior demanda. Para Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, que já analisou mais de R$ 3 bilhões em crédito, o movimento está ligado ao maior comprometimento do limite do cartão de crédito no orçamento das famílias. “Com o cartão ocupando uma parcela cada vez maior da renda, muitos consumidores passaram a buscar no crediário uma alternativa para continuar comprando sem depender do limite disponível. Isso mantém o consumo ativo no varejo, mas exige análise criteriosa para que o financiamento siga compatível com a capacidade de pagamento e não amplie o risco de inadimplência”.
INFRAESTRUTURA GLOBAL DE DATA CENTERS
Para os que acreditam na queda do poderio norte-americano (que pode ser, como está sendo, no nível da informação, subestimado na sua capacidade militar em relação ao estrago feito no Irã), como estamos numa era digital vale a pena fazer uma comparação bastante esclarecedora sobre sua capacidade de processamento. Assim vamos levar em conta que existem 11.296 data centers no mundo, pois bem os Estados Unidos concentram 4.204 data centers unidades desta infraestrutura global, ou seja 37,2% delas. Isto mostra que há no estado norte-americano oito vezes mais data centers do que no Reino Unido, 2º colocado no ranking global com 524 unidades. Em seguida vem a Alemanha com 514 unidades. Os EUA possuem 11,3 vezes mais data centers do que a China com 369 unidades e ocupa a 4ª posição no ranking mundial. O Brasil, com 205 data centers, ocupa o 11º lugar. Ou seja, os Estados Unidos tem mais de 20 vezes o número de data centers que temos no país. E olha que o Brasil possui 42% da capacidade da América do Sul. E, por sua quantidade insuficiente para o seu tamanho 60% dos dados brasileiros são processados fora do país. Como este tipo de estrutura é considerado com essencial em termos de hard power, os ativos estratégicos que ampliam a capacidade de influência e poder de uma nação, dá para sentir como estamos capacitados para falar em soberania.
