A valorização da cultura alimentar regional, a inserção de produtos da agricultura familiar no cardápio escolar e o incentivo a hábitos saudáveis na rede pública de ensino conferiram destaque nacional à culinária de Rondônia. O prato "Pirarucu ao molho com vegetais, arroz, farofa de vagem e abobrinha, acompanhado de laranja e pitaya", idealizado no município de Cabixi, foi o grande vencedor estadual na 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A iniciativa selecionou 55 receitas em todo o país para evidenciar o papel dos agentes de alimentação na execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Identidade amazônica e nutrição na área rural
A receita premiada foi desenvolvida pela agente de alimentação escolar Adenilza de Almeida Fagundes Nunes, que atua há 18 anos na Escola Estadual de Ensino Fundamental Chico Mendes, localizada na Linha 09, quilômetro 16, na comunidade rural de Rumo Escondido, em Cabixi. O município, situado no Cone Sul rondoniense e delimitado pelo rio Guaporé, possui forte tradição na pesca e no turismo fluvial, elementos que inspiraram a escolha do pescado como proteína central do cardápio escolar.
O arranjo nutricional do prato foi estruturado para aliar alta densidade proteica com micronutrientes sazonais fornecidos por pequenos produtores locais:
Proteína nativa: Uso do pirarucu fresco, peixe amazônico de alto valor biológico e excelente aceitação sensorial pelos estudantes.
Acompanhamento hortifrúti: Integração de vagem e abobrinha na farofa e no molho, diversificando o aporte de fibras.
Sobremesa antioxidante: Inclusão de porções de laranja e pitaya in natura, garantindo um prato colorido e rico em vitaminas.
Rondônia também obteve a segunda colocação no concurso nacional com o "Quibe de peixe com recheio de banana-da-terra", receita elaborada em uma escola estadual de Ji-Paraná.
Educação alimentar e governança pedagógica
A reformulação dos cardápios na rede pública estadual visa mitigar riscos de doenças crônicas e estabelecer o ambiente escolar como um espaço de letramento nutricional. A estudante Lara Olinda Fagundes Matias, de 13 anos, aluna do 9º ano da Escola Chico Mendes, pontuou que a diversificação dos pratos altera a percepção dos discentes sobre a comida saudável. “As mudanças promovidas na alimentação escolar ajudam a criar hábitos saudáveis, além de incentivar uma melhor qualidade de vida e prevenir doenças relacionadas à má alimentação”, relatou.
A engenharia logística e o suporte técnico para a padronização das receitas nos municípios do Cone Sul são coordenados pela Superintendência Regional de Educação (SRE) de Cerejeiras, que abrange cinco municípios, quatro distritos e três extensões rurais. A superintendente regional, Marlene Ribeiro, defendeu que o prêmio é reflexo do alinhamento técnico entre nutricionistas da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e as manipuladoras de alimentos, que agora seguem para Brasília para a etapa de premiação e intercâmbio de experiências gastronômicas em 2026.
Redação Diário O Norte
