A governança climática, a mitigação de riscos decorrentes de extremos hidrológicos e o monitoramento geoespacial de crimes ambientais balizam as ações de contingência na capital. A Prefeitura de Porto Velho estruturou um plano de ação emergencial para enfrentar as projeções climáticas associadas ao fenômeno Super El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O plano governamental visa resguardar o abastecimento de água, coibir as queimadas urbanas e garantir a assistência humanitária em distritos e comunidades tradicionais sob risco de isolamento devido à vazante severa dos rios.
A estratégia unifica a atuação de secretarias finalísticas por meio de ferramentas de inteligência geográfica e fiscalização de campo.
A estratégia unifica a atuação de secretarias finalísticas por meio de ferramentas de inteligência geográfica e fiscalização de campo.
Governança unificada e inteligência tecnológica
Entre os mecanismos administrativos acionados pelo município, destaca-se a criação inédita de um Escritório de Governança Ambiental. A estrutura atua de forma transversal para integrar o fluxo de dados entre as pastas e coordenar a vigilância de coberturas vegetais e áreas de preservação perimetrais. As equipes técnicas utilizam aeronaves remotamente pilotadas (drones) e sensores térmicos para mapear focos de calor precoces e otimizar o tempo de resposta das brigadas de incêndio.
Complementarmente, o Comitê de Crise Climática, sob a coordenação operacional da Defesa Civil Municipal, monitora os níveis de vazão do rio Madeira e a qualidade do ar na mancha urbana. O coordenador do órgão, Marcos Berti, assinalou que o foco atual reside no mapeamento das áreas de maior vulnerabilidade social. “Estamos diante de um cenário que exige atenção redobrada e atuação integrada. O Super El Niño pode provocar uma estiagem mais severa, com impactos diretos na temperatura, na qualidade do ar e no nível dos rios. Por isso, o Comitê está coordenando ações preventivas para garantir segurança e resposta rápida”, detalhou o gestor.
Fiscalização rigorosa e canais de denúncia
O plano de contingência prevê sanções pecuniárias severas para proprietários de terrenos baldios que utilizam o fogo para limpeza de lotes ou descarte de resíduos sólidos. Fiscais municipais de postura e meio ambiente intensificaram as patrulhas nos bairros periféricos para lavrar autos de infração e aplicar multas administrativas de forma imediata aos infratores, visando reduzir os índices de internação hospitalar por doenças respiratórias decorrentes da fumaça de queimadas.
O prefeito Léo Moraes conclamou a sociedade civil a atuar em regime de corresponsabilidade, apontando que as projeções para o período exigem disciplina coletiva no uso dos recursos hídricos e na eliminação do uso do fogo. “O alerta é sério. A estiagem pode ser mais severa, com calor extremo, fumaça intensa e risco ao abastecimento de água. A Prefeitura já reforçou a fiscalização, está multando quem promove queimadas ilegais e atuando de maneira firme para garantir o bem-estar da nossa população”, enfatizou o chefe do Executivo.
A administração municipal disponibilizou canais diretos para o recebimento de denúncias de crimes ambientais. O cidadão pode formalizar relatos de focos de incêndio acionando o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193, ou encaminhando coordenadas e mídias para o plantão municipal de fiscalização via WhatsApp, no número (69) 98423-4092.
Redação Diário O Norte
