A preservação da identidade cultural amazônica, a valorização das manifestações folclóricas periféricas e a ocupação dos palcos históricos da capital norteiam as ações de fomento ao turismo em Porto Velho. A Quadrilha Junina Coração Dourado, originária do bairro Mariana, na zona Leste, foi a agremiação sorteada para realizar a abertura oficial do circuito competitivo do Arraiá do Bera 2026. O festival coreográfico inicia suas atividades nesta quinta-feira (25) no Complexo Cultural e de Lazer da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), reunindo milhares de espectadores e jurados técnicos na orla fluvial.
Os ensaios diários, conduzidos na praça pública do bairro de origem, mobilizaram a comunidade nos últimos meses para ajustar os detalhes de evolução técnica, ritmo e indumentária.
Narrativa regionalizada e a ótica dos brincantes
Com nove anos de atuação no movimento junino rondoniense, a agremiação defenderá na arena o tema "Legado do Rio Madeira". A proposta coreográfica e cênica foi estruturada para contar a história e a influência socioeconômica do curso d'água na formação da identidade portovelhense, utilizando personagens icônicos, composições musicais autorais e alegorias regionalizadas para prender a atenção do corpo de jurados desde os primeiros minutos de apresentação.
Os integrantes relatam que a responsabilidade de inaugurar o tablado de apresentações duplica a carga emocional do elenco. Diogo da Silva, que desempenha o papel dramático de Lampião há cinco anos, pontuou que o cenário histórico da EFMM eleva o nível técnico da disputa. "O Arraiá do Bera é um lugar especial. Eu dancei lá no ano passado e senti uma energia diferente. A gente pode entrar na arena vinte vezes que as vinte vezes vai dar aquele nervosismo. Mas a gente dança porque gosta", relatou.
O sentimento é compartilhado pelo brincante Marcos Douglas, responsável pelo papel de noivo da quadrilha. "A expectativa é muito grande. Tem muito nervosismo também. Estamos ensaiando todos os dias, de segunda a sexta-feira. Vai ser a primeira vez que eu vou dançar e competir no Bera", revelou.
Estrutura de premiação e incentivo aos bairros
O festival, promovido pela Prefeitura de Porto Velho, destinará um montante global de R$ 45 mil em prêmios para os três grupos que obtiverem as maiores notas nos quesitos oficiais de avaliação. O regulamento estipula o pagamento de R$ 20 mil para a quadrilha campeã, R$ 15 mil para o segundo lugar e R$ 10 mil para a terceira colocada do certame.
O prefeito Léo Moraes enfatizou que o protagonismo concedido a um grupo da zona Leste na abertura do circuito demonstra a descentralização e o vigor das produções culturais geradas nas comunidades periféricas da capital. "A cultura popular é construída por pessoas que se dedicam durante meses para manter viva a tradição junina. Ver uma quadrilha da comunidade do Mariana abrir o concurso mostra a força dos nossos bairros e o talento dos nossos brincantes. Tenho certeza de que será uma apresentação emocionante para todos", avaliou o chefe do Executivo. O circuito de apresentações e a feira de economia criativa seguem com acesso franqueado ao público até o próximo domingo, dia 28 de junho.
Redação Diário O Norte
