O fortalecimento da apropriação dos espaços públicos e a reativação do fluxo social no centro histórico consolidaram o sucesso de uma nova intervenção urbana na capital. No último domingo (14), o projeto Rua do Hexa, instalado pela Prefeitura de Porto Velho nas adjacências do Prédio do Relógio, converteu-se em um polo de recreação de massa e convivência intergeracional. Aliando o apelo estético da ornamentação da Copa do Mundo de 2026 a um circuito de esportes e jogos tradicionais, o complexo atraiu milhares de moradores e transformou-se no mais novo atrativo turístico temporário do município.
As atividades integradas buscaram afastar o público infanto-juvenil do isolamento tecnológico por meio do resgate de dinâmicas lúdicas coletivas.
Rua do Lazer e o resgate de dinâmicas tradicionais
A programação dominical foi estruturada a partir da execução do programa Rua do Lazer, coordenado de forma transversal pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), Secretaria Municipal de Educação (Semed) e Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural). O asfalto das avenidas Sete de Setembro e Farquar foi interditado ao tráfego de veículos para dar lugar a estações de entretenimento que incluíram:
Estruturas Infláveis e Esportivas: Montagem de pebolim humano, quadras de ping-pong e traves de futebol de rua para competições rápidas;
Brincadeiras Retrô: Fomento a dinâmicas populares da infância analógica, estimulando a coordenação motora e a socialização ao ar livre;
Cenografia Urbana: Aproveitamento do entardecer e do pôr do sol local como plano de fundo para a captação de imagens na ornamentação temática.
O gerente da Divisão de Educação Física, Cultura e Desporto Escolar da Semed, Cleverson Pedraza, validou a aderência do público à proposta pedagógica. “Hoje nós estamos aqui trazendo as brincadeiras e a Rua do Lazer resgatando aquelas brincadeiras antigas, onde as crianças estão se divertindo e os pais participando junto. É muito bacana esse tipo de evento e a gente está muito feliz em representar a Prefeitura”, enfatizou o gerente.
Impacto psicossocial, inclusão e dinamização do comércio
Para além do ganho recreativo, a ocupação civil do quadrante central gerou externalidades econômicas positivas imediatas para a cadeia do comércio varejista e para o setor de alimentação de rua. O adensamento de famílias impulsionou o faturamento de pequenos comerciantes e trabalhadores ambulantes cadastrados que operam no centro da cidade.
A coordenadora de trade marketing, Laís Oliveira, que levou a família ao evento, constatou o impacto comportamental do projeto. “Significa a inclusão de todos, a diversão das crianças, relembrar brincadeiras antigas. É relembrar mesmo as nossas origens, brincar na rua, sair das telas. Trouxe meu filho para ele vivenciar isso, sair um pouco da TV, do videogame e do celular”, relatou.
O sentimento de civismo e territorialidade também foi elencado pelos frequentadores como um dos saldos da intervenção. A residente Larissa Nery asseverou que a iniciativa devolveu vitalidade à região. “Vem essa questão do pertencimento, da gente voltar a ter esse sentimento de pátria. E também eu vejo a questão da economia que gira. Aqui no Centro criou um movimento muito grande para o comércio e para os ambulantes”, pontuou.
A municipalidade prevê a manutenção do cronograma especial de monitoramento urbano, limpeza e segurança no complexo durante todo o período de vigência dos jogos do torneio mundial.
Redação Diário O Norte
