A comunidade da Vila Princesa, em Porto Velho, iniciou nesta segunda-feira (6) um ciclo de transformação social com o começo das aulas da primeira turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), visa oferecer uma nova oportunidade para moradores que, por diversos motivos, precisaram interromper ou nunca tiveram a chance de iniciar os estudos na idade escolar. Para marcar esse compromisso com o aprendizado, cada aluno recebeu kit escolar e uniforme completo logo no primeiro dia.
A busca pela autonomia e dignidade
As histórias de Lucileide Feitosa, de 44 anos, e Nizete Alves, de 50 anos, ilustram o impacto profundo que o acesso à escola gera na vida dos moradores da Vila Princesa. Para muitas dessas pessoas, a alfabetização é a chave para a conquista de direitos básicos e autonomia. Lucileide, que enfrentou barreiras para assinar documentos e resolver questões cotidianas por falta de instrução formal, vê na EJA uma chance de mudança. "A gente sem estudo não consegue um emprego. Muitas vezes as pessoas tratam a gente com indiferença. Até para assinar alguma coisa é difícil", relata.
Nizete, que atua como recicladora na comunidade há 12 anos, descreveu o início das aulas como a realização de um sonho. "Só o fato de você aprender a ler, escrever seu nome, é uma satisfação muito grande. A Bíblia a gente tem, mas não consegue ler. Então é um aprendizado pra nós", conta emocionada.
Estrutura e continuidade pedagógica
As atividades estão sendo desenvolvidas na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental João Afro Vieira. A Secretaria Municipal de Educação organizou o calendário letivo de forma a garantir a acolhida dos alunos. As atividades seguem até o dia 17 de julho, quando o cronograma entra em recesso, com previsão de retorno para o dia 3 de agosto. A oferta de materiais didáticos e vestuário é vista pela gestão como um incentivo essencial para a permanência dos alunos em sala de aula.
O compromisso da gestão municipal
O secretário municipal de Educação, Giordani Lima, destacou o perfil dos novos estudantes. "Estamos falando de homens e mulheres que carregam o desejo de aprender, de escrever o próprio nome, de ler um documento, de ter mais autonomia e mais oportunidades. A Prefeitura está garantindo estrutura, material, uniforme e, acima de tudo, o acesso à educação como um direito de todos", afirmou.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, visitou o início do projeto e celebrou a adesão da comunidade. Para o gestor, a presença da EJA na Vila Princesa é uma ação de cidadania. "Ver essa sala de aula cheia, com alunos motivados, material nas mãos e vontade de aprender, é a prova de que vale a pena investir em políticas públicas que chegam onde as pessoas mais precisam. A EJA na Vila Princesa significa respeito, dignidade e oportunidade para quem sonha em aprender a ler, escrever e ter mais autonomia no dia a dia", concluiu.
Com o início dessa nova turma, a Vila Princesa reforça sua trajetória rumo ao desenvolvimento social, utilizando a educação como ferramenta fundamental para a independência e a construção de um futuro com mais possibilidades para seus residentes.
Redação Diário O Norte
