
E, muitas vezes, será preciso sair rápido de cena, se possível. “Experiência não é o que acontece a você. É o que você faz com o que acontece a você” (Aldous Huxley).
O PEDÁGIO DA BR-364 IMPACTA NO TERMÔMETRO ELEITORAL
A recente suspensão liminar da cobrança de pedágio na BR-364, determinada pela Justiça Federal, expõe uma ferida aberta no estado de Rondônia. A decisão reflete o descontentamento geral com uma concessão que nasceu sob o signo da desproporcionalidade: tarifas elevadas aplicadas a uma rodovia com infraestrutura precária e manutenção questionável. Embora o título de "mais caro do país" varie conforme o critério (valor por km rodado vs. valor absoluto da praça), o pedágio na região sofreu reajustes que chegam a ser 20% a 30% superiores à média de concessões similares em estados vizinhos, sem que houvesse a contrapartida de duplicação ou melhorias estruturais imediatas. Em termos comparativos, o valor cobrado em relação ao estado de conservação da pista é considerado o pior custo-benefício do setor rodoviário nacional atual. O senador Confúcio Moura, que preside a Comissão de Infraestrutura do Senado, encontra-se em uma posição muito delicada. Sua defesa pública do modelo de concessão e sua proximidade com o governo Lula, que enfrenta altos índices de rejeição no agronegócio rondoniense, criaram um isolamento político evidente. De modo que a população e lideranças locais acusam o senador de priorizar as diretrizes de Brasília em detrimento das necessidades de quem trafega diariamente pela rodovia. Como reflexo há uma "avalanche de queixas" mencionada não é apenas sobre o dinheiro, mas sobre o sentimento de abandono de um estado que se sente ignorado pelo Governo Federal. E, na verdade, não se pode cobrar tarifas de "primeiro mundo" por uma estrada que ainda opera com gargalos e riscos de segurança dignos de décadas passadas. Resumo da ópera: a BR-364 deixou de ser apenas uma questão logística para se tornar um termômetro eleitoral. Para Confúcio Moura, o desafio será desvincular sua imagem de uma concessão vista como "abusiva" antes que o desgaste se torne irreversível para suas pretensões futuras.
2ª CORRIDA NACIONAL DO SESC SERÁ DIA 1º DE MAIO
O Serviço Social da Indústria de Rondônia (SESI-RO) anunciando a 2ª Corrida Nacional do SESI em 2026, com realização marcada para 1º de maio de 2026, em Porto Velho. A concentração dos participantes será no Espaço Alternativo, local de largada das provas, prevista para às 6h30. As inscrições são limitadas a 700 corredores e podem ser feitas no Portal On Sports, na aba Corrida Nacional do SESI Etapa Porto Velho. O evento terá corridas de 5 km e 10 km, nas categorias feminino e masculino, além de caminhada de 3 km. As modalidades atendem o público em geral, trabalhadores da indústria, colaboradores do sistema indústria e pessoas com deficiência (PCD), conforme critérios de idade e inscrição. Os três primeiros colocados de cada categoria receberão medalhas e troféus, enquanto todos os participantes que concluírem o percurso serão contemplados com medalha de participação.
GOLDMAN SACHS: GOVERNO LULA TEM “AVERSÃO A CONTROLE DE GASTOS”
O Banco Central do Brasil divulgou que o setor público consolidado- União, Estados, municípios e estatais- fechou 2025 com um rombo fiscal de R$ 1,076 trilhão. Foi um rombo acima de R$ 1 trilhão pelo 3º ano seguido, pois havia sido de R$ 1,074 trilhão em 2023 e de R$ 1,065 trilhão em 2024. Os valores do déficit estão corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com referência em dezembro de 2025. Este resultado é um termômetro da deterioração nas contas públicas do governo Lula da Silva, apesar de ter uma arrecadação recorde no ano passado. Agora a DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral), que inclui o governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais, chega ao final de 2025 em 78,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Em valores, corresponde a R$ 10 trilhões. A dívida aumentou 7,0 pontos percentuais no governo Lula. O Tesouro Nacional divulgou que a DPF (Dívida Pública Federal) fechou 2025 aos R$ 8,65 trilhões, registrando a maior alta anual desde 2015. O estoque tende a atingir R$ 10,3 trilhões neste ano de eleições, segundo o Ministério da Fazenda. Um relatório do Goldman Sachs, (https://www.goldmansachs.com/worldwide/brazil) um dos maiores bancos de investimento do mundo, reporta que o déficit fiscal ultrapassou 8% do PIB em todos os anos do governo Lula. E que o estoque da dívida pública bruta encerrou 2025 em 78,7% do PIB, quando foi de 71,7% no final de 2022. E pontuou que “A expectativa é de que continue a aumentar” afirmando que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem “aversão a controle de gastos”.
MAIOR SÁLARIO SEM PRODUTIVIDADE É INCENTIVO À ESTAGNAÇÃO
O anúncio do novo salário mínimo para 2026, fixado em R$ 1.621,00, traz consigo uma dualidade econômica que define o atual cenário brasileiro. Por um lado, o reajuste de 6,79% (um aumento nominal de R$ 103,00 em relação aos R$ 1.518,00 de 2025) cumpre a promessa governamental de ganho real, protegendo o poder de compra da base da pirâmide contra a inflação e injetando liquidez no mercado de consumo. Por outro, o aumento expõe uma ferida aberta na economia nacional: o descompasso crônico entre o custo do trabalho e a produtividade do trabalhador. O valor atual não é arbitrário. Ele segue a política de valorização que combina a inflação medida pelo INPC com a variação positiva do PIB de dois anos anteriores. No papel, a lógica é virtuosa: se a economia cresce, o trabalhador que gera essa riqueza deve participar dos frutos. Contudo, o crescimento do PIB brasileiro tem sido, em grande medida, um fenômeno de "extensão" e não de "intensificação". O país cresce porque há mais pessoas consumindo ou via estímulos de crédito, mas não necessariamente porque estamos produzindo de forma mais eficiente. O que se vê é o gargalo da produtividade: produtividade não significa trabalhar mais horas, mas sim gerar mais valor no mesmo intervalo de tempo através de tecnologia, educação e infraestrutura. No Brasil, o custo do trabalho formal sobe por decreto, mas a capacidade de entrega do trabalhador médio permanece estacionada. Quando o salário mínimo sobe acima da produtividade, cria-se um desequilíbrio com pressão sobre os custos das micro e pequenas empresas, repasses nos preços e aumento das barreiras à formalização. É uma falsa valorização do trabalho na medida em que a verdadeira valorização não vem do valor nominal no contracheque, mas da capacidade do país de transformar cada hora trabalhada em maior valor agregado. Sem isto as consequências serão sempre estagnação da economia e aumento da informalidade.
