
Jamais pensei que fosse fácil. Ainda mais quando estou com preguiça. “O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever” (Thomas Mann).
TUDO COMO ANTES NO QUARTEL DE ABRANTES
Por decisão do desembargador federal Pablo Zuniga Dourado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi deferido o pedido de efeito suspensivo em agravo de instrumento interposto pela Concessionária de Rodovia Nova 364 S.A. e restabelecida a cobrança de pedágio no trecho da BR-364 concedido pelo Contrato nº 06/2024. Ao analisar o pedido, o desembargador registrou que interrupção abrupta da cobrança, após autorização formal da agência reguladora, poderia comprometer a continuidade dos serviços de operação, manutenção e investimentos previstos no Programa de Exploração da Rodovia, com possíveis reflexos na segurança viária e na prestação do serviço público. Enquanto que eventual prejuízo aos usuários seria, em tese, passível de recomposição por mecanismos compensatórios previstos no regime contratual e regulatório. Assim, entendeu não haver, neste momento processual, risco de irreversibilidade jurídica equivalente ao apontado pela concessionária. Enfim, como seria previsível, quando se choca, em geral, o interesse público com os interesses governamentais, no Brasil, sempre a proeminência dos interesses estatais acaba predominando. Neste caso vamos ver o que acontece quando os efeitos econômicos, inevitáveis, aconteceram. Podem esperar que eleitoral terá, de vez que a insatisfação deve se refletir sobre a apatia dos representantes federais de nosso estado, inclusive das autoridades estaduais que, convenientemente, ficaram silenciosas num processo que claramente prejudica o bem estar de toda a população.
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DO AMAZONAS FECHOU ESTÁVEL EM 2025
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal Regional, divulgada pelo IBGE, a produção industrial do Amazonas caiu 5,1% entre novembro e dezembro. Assim o resultado negativo fortaleceu o tombo do mês anterior (+3,8%) fez com que o ano terminasse estagnado. Também na comparação com o dezembro do exercício anterior, houve uma queda de -6,5%, puxada por sete das 11 atividades acompanhadas, principalmente eletroeletrônicos e bens de informática. O Estado perdeu para a média brasileira (-1,2% e +0,4%) nas duas comparações. Ainda assim a manufatura estadual se manteve positiva no acumulado do ano, mas só empatou com o exercício anterior (+0,1%). O incremento foi induzido por seis de suas atividades industriais, com destaque positivo para produtos químicos (+50,9%), “outros equipamentos de transporte” (+10,7%), graças à divisão de motocicletas, e máquinas e equipamentos (+4,6%), com destaque para a linha de produção de condicionadores de ar.
UMA PROPOSTA INOPORTUNA E PROBLEMÁTICA
No Brasil, o governo que não faz sua parte, está sempre criando problemas para quem faz sua. Uma prova disto é que estão, novamente, com a proposta de criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Turismo (Senatur), prevista no PL 5942/2025 (que tramita na Câmara dos Deputados em 2026), considerada problemática e polêmica por setores empresariais, principalmente por representar um risco ao Sistema S atual (SESC/SENAC) e por envolver aumento de custos. Não é apenas o fato de que novas entidades (Senatur e Sestur) vão fragmentar o atendimento atual, gerando insegurança sobre a manutenção dos benefícios já existentes e demitindo cerca de 12 mil colaboradores. A proposta atinge um setor, o turismo, que tem experimentado enorme desenvolvimento e retiraria recursos que seriam dirigidos para novos prédios, equipamentos, além de exigir a contratação e treinamento de novas equipes retardando e dispersando serviços que já são prestados. Por esta razão entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) manifestaram firme oposição. O argumento é que o Senatur colocaria em risco a continuidade e a estrutura do SESC e SENAC, que já atendem trabalhadores do setor de turismo e hospitalidade e não é um debate não é novo. Em 2009, audiências públicas e áreas técnicas do governo (como a Fazenda) já se posicionavam contra a criação de um "Sistema S do turismo" por razões orçamentárias e de sobreposição de funções. Enfim, basta ver como o turismo tem crescido. Só razões pouco explicáveis podem defender a proposta ainda mais tentando ser aprovada correndo no último ano de mandato de parlamentares de forma apressada.
SERASA APONTA QUE 50% DA POPULAÇÃO ADULTA ESTÁ INADIMPLENTE
Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, o Brasil terminou 2025 com 81,2 milhões de pessoas inadimplentes- 49,7% da população adulta. É um volume total de dívidas ativas de R$ 518 bilhões, patamar acima dos níveis observados antes da pandemia e reforça os desafios estruturais do crédito ao consumidor no país. Ainda o estudo mostra que cada inadimplente acumulava, em média, R$ 6.382 em dívidas, distribuídas em quatro compromissos financeiros, com valor médio de R$ 1.593 por dívida. Os números indicam que o problema não está concentrado em atrasos pontuais, mas no acúmulo de parcelamentos ao longo do tempo, muitas vezes com a combinação de diferentes modalidades de crédito. A composição das dívidas ajuda a explicar o cenário. Bancos e cartões de crédito respondem por 26,1% do total, seguidos por contas básicas, como água, luz e gás (22,1%), e por financeiras, que concentram 19,6% das pendências. O dado reforça que o endividamento atinge tanto o consumo quanto as despesas essenciais do orçamento familiar. De acordo com Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, uma financeira regional especializads em crédito no ponto de venda e especialista em análise de risco, os números são preocupantes e exigem maior responsabilidade na concessão de crédito. “Esse nível de inadimplência impacta diretamente o consumo, o varejo e toda a economia. Quando o endividamento se torna estrutural, o crédito deixa de impulsionar vendas e passa a travar o crescimento”. Para ele, as empresas precisam ser cada vez mais criteriosas na liberação do crédito e avaliar a capacidade real de pagamento para evitar comprometer o orçamento das famílias.
