Representantes das principais entidades do setor produtivo rondoniense se reuniram com a imprensa nesta quarta-feira, 15, no auditório da Mitsubishi, em Porto Velho, para o lançamento oficial da Carta do Setor Agropecuário de Rondônia. O documento é o resultado técnico da Caravana Agro Sustentável, que percorreu diversas regiões do estado ouvindo produtores e colhendo demandas para subsidiar políticas públicas.
A iniciativa contou com o protagonismo de lideranças como Adélio Barofaldi (APRON), além de presidentes de federações como Marcelo Thomé (FIERO), reforçando que o desenvolvimento industrial do estado está intrinsecamente ligado à performance do campo. A Caravana, que teve seu encerramento em Cerejeiras, sistematizou as reivindicações em nove eixos prioritários que prometem mudar o patamar de competitividade regional.
O movimento estratégico integrou diversas forças do setor produtivo rondoniense, contando com a participação de entidades como o APRON, Sistema OCB, APROSOJA, SICOOB. Também integraram a comitiva representantes da FECOMÉRCIO, SENAR/FAPERON, UERON, além do CREA e CREA-RO e SEBRAE. Ao longo de uma jornada de quatro dias, a Caravana cruzou diferentes regiões de Rondônia, promovendo um diálogo direto com produtores locais, além de realizar painéis técnicos e debates focados na expansão sustentável e no fortalecimento do agronegócio no estado.
O campo como protagonista
A Carta não é apenas um relatório; é um documento de escuta ativa que busca transformar desafios históricos em uma agenda estratégica.
"Essa construção não veio de percepção isolada, mas da contribuição de produtores e instituições que conhecem a realidade da produção no dia a dia", destaca o texto assinado por mais de 30 entidades signatárias.
Os pilares da segurança jurídica e infraestrutura
1. Regularização Fundiária e Ambiental
Este é apontado como o eixo estruturante de maior prioridade. A falta de titulação, sobreposição de cadastros e a lentidão nos processos ambientais são vistos como os principais entraves ao crédito e à adoção de tecnologias. O setor defende a celeridade em processos de CAR/PRA, outorgas de água para piscicultura e cafeicultura, além da atualização urgente do Zoneamento Socioeconômico-Ecológico de Rondônia.
O custo logístico na Região Norte ainda é um gargalo para a competitividade. A Carta reivindica a manutenção permanente de rodovias e estradas vicinais, além de focar em corredores estratégicos como a BR-319 e a BR-429. Outro ponto crucial é o fortalecimento da hidrovia do Rio Madeira e a estruturação do Porto Público de Porto Velho, visando reduzir as perdas e o tempo de escoamento da produção.
O setor demanda linhas de crédito compatíveis com a realidade amazônica, facilitando garantias para pequenos e médios produtores. No âmbito sanitário, a manutenção do status de área livre de aftosa e o fortalecimento do quadro técnico da Idaron são inegociáveis para garantir a inserção em mercados internacionais exigentes.
A modernização do agro esbarra na baixa qualidade da internet e na instabilidade elétrica. A Carta reforça que sem energia e conectividade, o produtor não consegue implementar sistemas de rastreabilidade ou gestão tecnológica, o que trava a produtividade.
5. O Salto da Agroindustrialização
Um dos pontos mais enfáticos do documento é a necessidade de transformar matéria-prima em riqueza dentro de Rondônia. Atualmente, o estado ainda exporta muita matéria-prima bruta, limitando a geração de empregos. A meta é fortalecer polos agroindustriais de carne, soja, café, cacau, pescado e leite, especialmente no interior do estado. Segundo a FIERO, a indústria precisa ampliar o processamento local para reduzir a dependência da exportação de commodities.
A criminalidade no campo, incluindo furtos, invasões e incêndios criminosos, tem gerado instabilidade social. O setor pede que a Patrulha Rural se torne uma Política de Estado permanente, integrando inteligência e tecnologia para proteger o patrimônio do produtor. No campo jurídico, a demanda é por previsibilidade nas normas, evitando mudanças bruscas que afetem o investimento e estimulem o êxodo rural.
A Caravana do Agro Sustentável RO 2026 encerra esta etapa entregando o documento a instâncias como a Assembleia Legislativa e o Governo Federal. A mensagem final é clara: Rondônia já produz com sustentabilidade na Amazônia, mas agora busca as ferramentas necessárias para se consolidar como um estado processador e exportador de valor agregado.
Redação Diário O Norte
