
Para você ver como a economia pesa. "O ponto G depende da minha conta bancária. Se estou com o bolso cheio, elas tem prazer rapidinho" (Carlos Roberto Oliveira, Dicró).
LICITAÇÃO DA BR-319 RESTABELECIDA
Mais um capítulo da novela da BR-319. Depois da juíza Maria Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Justiça Federal do Amazonas, suspender os pregões eletrônicos para escolher a empresa que iria pavimentar a BR-319, Manaus (AM) e Porto Velho, a presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, desembargadora Maria do Carmo Cardoso revogou a medida que atingia 4 pregões eletrônicos abertos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que foram suspensos pela justiça federal do Amazonas. Os leilões devem ocorrer nesta quarta e quinta-feira, em São Paulo. Nas suas considerações, a magistrada reconheceu que a paralisação das licitações causa prejuízos à população do estado amazonense, por se tratar do único acesso terrestre com o restante do país. Os leilões são de quatro trechos distintos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. Entre as ações previstas pelo DNIT, destaca-se a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7, hoje um dos principais entraves para a passagem de veículos pesados. A obra conta com investimento previsto de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.
REAL PERDE VALOR E CUSTO DE VIDA DISPARA
Numa comparação temporal entre o salário mínimo mensal dos Estados Unidos, que era de US$ 1.160, em 2011, para US$ 2.050 em 2026; do Canadá, que passou, no mesmo período, de US$1.550 para US$2.150 com o do Brasil, que caiu de US$320 em 2011 para US$285 em 2026, se verifica, conforme Daniel Toledo, consultor e advogado especializado em Direito Internacional, que a perda de valor da moeda brasileira é um dos principais fatores por trás desta distorção. “Quando você olha para o câmbio ao longo do tempo, percebe que o brasileiro perdeu capacidade de consumo global. Isso impacta desde viagens até o acesso a bens e investimentos internacionais”, afirma. Esta diferença se reflete no consumo. Um trabalhador no Canadá precisa de cerca de 65 horas para comprar um smartphone de US$900. Nos Estados Unidos, são cerca de 110 horas. No Brasil, este número chega a 380 horas, enquanto na Argentina, em pior situação ainda, ultrapassa 600 horas. O que pesa na conta mesmo é a estabilidade estrutural, pois, além dos números, são os fatores estruturais que ajudam a explicar a diferença de qualidade de vida. Países como Estados Unidos e Canadá apresentam maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e segurança jurídica, o que favorece o planejamento financeiro de longo prazo. “O dado mais relevante não é o salário nominal, mas o quanto ele compra. E nesse ponto, países com moeda forte e menor volatilidade econômica levam vantagem clara”, diz Toledo. Nota com informações de Carolina Lara.
MAIO COM ENERGIA MAIS CARA
Anunciada decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária amarela para maio aumentando pressão no custo da energia elétrica no Brasil. Com a mudança, os consumidores vão pagar um valor adicional de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos, refletindo a redução no volume de chuvas e a transição para o período seco. O aumento se dá no fim do período chuvoso justamente com maio onde há uma fase de maior variabilidade térmica, com alternância entre dias mais quentes e quedas de temperatura. O mês também marca o início do período seco no Sudeste, quando os reservatórios passam a depender mais do volume acumulado. Este processo aumenta a sensibilidade do sistema elétrico, já que reduz a previsibilidade da geração hidrelétrica.
A RECEITA ESTÁ CADA VEZ MAIS APERFEIÇOANDO O USO DE DADOS PARA IDENTIFICAR AS TRANSAÇÕES
Foi constatado que a fiscalização tributária atingiu um novo patamar em 2025. Isto é visível no balanço do Ministério da Fazenda que mostra que as autuações da Receita Federal somaram R$ 233 bilhões no ano passado. O número não chama atenção só pelo valor, mas também expõe a transformação profunda na forma como o Fisco age no país. Para especialistas, o cenário atual exige que as empresas passem a tratar o risco tributário como um tema estratégico. Para o advogado Gustavo Portugal, especialista em direito tributário e sócio fundador do GMP GC Advogados Associados, o volume de autuações reflete um novo momento da fiscalização no Brasil. “Esse número revela um ambiente fiscal cada vez mais complexo, monitorado e orientado por dados. A Receita não depende mais apenas de fiscalizações tradicionais. Hoje há cruzamento massivo de informações fiscais, contábeis e financeiras”. Apesar do crescimento das autuações, o jurista aponta que o fenômeno está mais ligado à eficiência do Fisco do que a um aumento generalizado de irregularidades. “A Receita está mais tecnológica, preventiva e seletiva. O uso de declarações digitais, notas fiscais eletrônicas e sistemas de cruzamento de dados ampliou muito a capacidade de identificar inconsistências rapidamente”, afirma Portugal. Na prática, isto significa que erros antes difíceis de detectar agora são automaticamente identificados por sistemas integrados, muitas vezes sem necessidade de auditorias presenciais.
O MOMENTO COMPLICADO DA AVIAÇÃO CIVIL
O transporte aéreo brasileiro passa por um momento de tensão entre demanda aquecida e custos crescentes. Houve um aumento de 7,7% no volume de passageiros no 1º trimestre com o preço médio das passagens subindo 18% em março, refletindo o impacto da guerra sobre combustíveis. Os efeitos práticos no mercado são visíveis nas companhias pressionadas por custos operacionais mais altos, consumidores mais sensíveis ao preço e o governo obrigado a fazer medidas emergenciais, como a criação de linhas de crédito para dar condições ao setor e evitar maior retração na oferta de voos. O cenário impacta a economia, a regulação e o consumidor, especialmente com a possibilidade de queda na demanda nos próximos meses.
