A retomada das atividades culturais em Porto Velho recebeu um importante impulso com a reabertura e liberação das quadras esportivas municipais para os ensaios de grupos folclóricos e quadrilhas juninas. A iniciativa reflete o compromisso do Executivo municipal com a descentralização e valorização das tradições populares diretamente nos bairros, assegurando que os brincantes tenham infraestrutura adequada para se preparar para a temporada de festividades que se aproxima.
O presidente da Fundação Cultural do Município (Funcultural), Wanderlei Silva, ressaltou que o planejamento para os grandes arraiais da capital exige meses de dedicação coletiva. Atualmente, diversas agremiações tradicionais utilizam espaços como a quadra do Abobrão, localizada na zona Leste e recentemente reformada, além de outras praças esportivas públicas estruturadas com piso apropriado e iluminação reforçada, garantindo qualidade técnica e segurança aos participantes.
Fim das restrições e resgate da dignidade
A mudança de cenário decorre de uma decisão política estratégica do prefeito Léo Moraes, que revogou a medida administrativa anterior que impedia a utilização de quadras e ginásios municipais por entes culturais. Antes da liberação, muitos grupos folclóricos eram obrigados a ensaiar de forma improvisada em ruas residenciais e terrenos baldios, enfrentando a irregularidade do solo e a falta de segurança.
O dançarino junino Pedro César expressou o alívio e o reconhecimento da categoria em relação à sensibilidade da gestão pública. “A gente tem muitas dificuldades para encontrar quadras e realizar os ensaios. Com a revogação dessa proibição, ficou muito bom para todos nós que fazemos a cultura acontecer”, afirmou. Agremiações tradicionais como Rádio-Farol, Tsunami do Norte, Junina Girassol, A Roça é Nossa, Mocidade Junina e Coração Dourado já estão integradas ao cronograma oficial de ensaios nos espaços liberados.
Cadeia produtiva e o Arraial Municipal 2026
Para além do valor simbólico e recreativo, as manifestações folclóricas operam como um forte motor de inclusão social e desenvolvimento econômico nas comunidades da periferia. A montagem dos espetáculos juninos aciona uma densa cadeia produtiva que engaja costureiras, artesãos, aderecistas, músicos, coreógrafos e produtores, gerando renda direta para centenas de famílias em Porto Velho, à semelhança do impacto promovido pelas escolas de samba, bois-bumbás e fanfarras.
Como forma de institucionalizar o apoio financeiro, a prefeitura, via Funcultural, mantém aberto um edital de chamamento público e sistema de credenciamento. O mecanismo legal assegura o repasse de cachês governamentais para as apresentações oficiais da temporada. A grande novidade do calendário deste ano será a realização do concurso do arraial oficial da prefeitura, agendado para o período de 25 a 28 de junho, que contará com uma premiação robusta em dinheiro para injetar recursos na sustentabilidade dos grupos folclóricos da capital.
Redação Diário O Norte
Com informações da SECOM/PVH
