
Não sei o que ele quis dizer, mas que é bonito é. “Toda arte se caracteriza por um certo modo de organização em torno do vazio” (Jacques Lacan).
FALTOU DECÊNCIA MESMO
Entendo e parabenizo o presidente do Tribunal de Justiça, Alexandre Miguel, ao criticar o jornal Folha de São Paulo por charge injustificável sobre falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). É lamentável que, ultimamente, a imprensa brasileira venha se comportando de forma indigna com sua tradição de democracia e de liberdade responsável. Efetivamente a charge não tem sentido algum nem de como crítica, nem como brincadeira, sequer sob o ponto de vista de respeito não somente aos magistrados, como, o que também sob o ponto de vista de respeito humano. Usar a morte de alguém-ainda mais de um servidor público-para um objetivo inglório e menor só merece um adjetivo: execrável.
NEM TANTO AO MAR NEM TANTO À TERRA
Não é só em Rondônia, mas no Brasil como um todo, que existe a tendência de exagerar os resultados que, muitas vezes, são francamente previsíveis. É o caso, agora, da avaliação do governo Marcos Rocha que no Ranking dos Governadores anual da AtlasIntel aparece em 22º lugar. Também em sua imagem pública Marcos Rocha aparece com pontuações baixas nos quesitos Carisma (30), Competência (29), Compromisso com o Povo (30), Liderança (31) e Firmeza (33). O Índice de Imagem Pública (IIP) do governador ficou em 29 pontos, o que o colocou na 20ª posição nacional neste indicador. O índice como se sabe busca oferecer uma avaliação ampla do desempenho dos gestores estaduais, indo além da simples medição de popularidade. O levantamento combina indicadores objetivos e a percepção da população, mas combina tudo isto com comparações entre os estados. A meu ver quando, como agora, majoritariamente 55% classificam a gestão como regular há uma maior aprovação do governo do que desaprovação ainda que os que classificam de forma negativa sejam em maior número do que os que aprovam. É preciso levar em conta que este é um retrato de um momento. Também é correto que o governador não possui o que chamamos de carisma. Sua eleição foi fruto de seu alinhamento com Bolsonaro, mas foi a condução do governo, no seu primeiro mandato, que o levou ao segundo. É claro que estou entre os que consideram seu governo regular, apesar de considerar que teve alguns pontos muito positivos, mas creio que, neste momento atual, pesa muito na avaliação o fator eleitoral e a atualidade do desentendimento com o seu vice. Quando existe uma cisão no topo, mudanças muito drásticas no fim do governo, e com a lavagem de roupa suja em público, devemos considerar é normal uma queda na imagem. E para um governador é essencial manter a aparência de unidade de equipe. Quando isto se rompe não importa o motivo a imagem também se desgasta.
SUPERMERCADOS VENDEM MENOS E VEEM SUAS MARGENS DE LUCRO ENCOLHEREM
Os supermercados-isto é bem visível em Porto Velho- têm registrado lojas cheias, mas carrinhos menores. O consumidor vai às compras, mas leva menos itens, troca marcas pelas de preços menores e prioriza o essencial. A mudança, que já é percebida no dia a dia das lojas, vem pressionando as margens e exigindo ajustes constantes na operação do varejo alimentar. Segundo o IBGE, em março, a alimentação e as bebidas subiram 1,56%, com impacto relevante no IPCA do mês. Itens como tomate, cebola, leite longa vida e carnes registraram alta, afetando o orçamento das famílias e o desempenho dos supermercados. Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabiliadade, o impacto vai além da inflação na gôndola. “Quando o cliente perde poder de compra, ele reduz volume, troca marcas e passa a comprar só o essencial. O supermercado continua com fluxo, mas vende menos produtos de maior valor agregado e perde margem”. O reflexo já aparece no carrinho e na forma das compras. Famílias que antes concentravam compras maiores passaram a fracionar o abastecimento ao longo do mês, ajustando o consumo à entrada de renda e às promoções pontuais. Para o varejista, isto significa menor previsibilidade, mais dificuldade para o planejamento e maior risco na gestão de estoque.
SETOR DE TURISMO NÃO ESTÁ PREPARADO PARA O ENVELHCIMENTO POPULACIONAL
Uma pesquisa inédita “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60” - da consultoria data8 em parceria com o Expo Fórum de Turismo 60+ e apoiada pelo Ministério do Turismo – revela que 74% dos brasileiros não sentem que as viagens são pensadas para a sua faixa etária. Realizada entre março e abril de 2026, a pesquisa entrevistou 1.012 brasileiros 60+ nas cinco regiões do país e faz um retrato inédito sobre comportamentos, desejos, barreiras e percepções deste público em relação ao turismo. Esta faixa de idade é composta de um público com autonomia financeira relevante e participação ativa no consumo turístico. Cerca de 96% dos entrevistados arcam integralmente ou dividem as despesas das viagens com o cônjuge, sendo que 73% utilizam o parcelamento no cartão de crédito como principal forma de pagamento. Este comportamento se reflete também no volume e na frequência de viagens: 34% gastam, no mínimo, R$ 10 mil por ano com turismo, enquanto 52% realizam ao menos três viagens anuais, sinalizando uma rotina consistente de deslocamentos a lazer. As viagens do consumidor maduro ocorrem na sua maioria com companhias: 56% dos entrevistados viajam com os cônjuges, mas entre os brasileiros com mais de 70 anos, 19% realizam viagens sozinhos. Há também diferenças de gênero neste comportamento. Entre as mulheres, observa-se maior diversidade nas formas de viajar - 17% viajam sozinhas; 23%, com amigos; e 31%, com filhos ou netos. Já entre os homens, predomina o modelo de viagem a dois, com 75% viajando com seus parceiros. Segundo Adriana de Queiroz, sócia do data8 e uma das coordenadoras da pesquisa, “O envelhecimento da população não é uma tendência futura - é uma realidade já instalada, com impacto direto sobre o consumo dos brasileiros. No turismo, isso se traduz em um público com tempo, renda e disposição para viajar, mas que ainda encontra barreiras e se vê insatisfeito com a experiência oferecida. O setor precisa despertar para o enorme potencial dessa mudança demográfica- e não estamos falando somente de adaptar serviços, mas reconhecer o consumidor prateado como um vetor estratégico de crescimento e inovação para o setor”.
