Um homicídio com requintes de crueldade praticado com uma arma branca incomum mobilizou as equipes de segurança e o setor de homicídios no Cone Sul do estado. O cidadão colombiano Gabriel José Arrieta Jiménez, que completaria 36 anos nesta sexta-feira (5), foi assassinado por um compatriota no interior de uma residência onde residia há cerca de um mês, localizada no bairro São José, em Vilhena. O crime foi cometido na noite de quinta-feira (4), por volta das 22h30, utilizando uma espada tradicional japonesa conhecida como katana.
O suspeito do crime, identificado como Juan Alejandro, também de nacionalidade colombiana, foi detido em flagrante pelas guarnições policiais ainda no local do crime, em estado de choque e com as vestes cobertas de sangue.
Luta corporal, gravidade das lesões e motivação financeira
De acordo com o histórico preliminar colhido no local da ocorrência, o homicídio foi precedido por uma violenta discussão que evoluiu para luta corporal. A motivação do crime está vinculada a um desentendimento financeiro relacionado à prática ilegal de empréstimo de dinheiro a juros, modalidade conhecida popularmente como "agiotagem colombiana" — atividade que envolve a oferta rápida de crédito a pequenos comerciantes com altas taxas de juros e cobranças coercitivas.
A vítima, Gabriel José, atuava como o financiador das transações, enquanto o agressor era o responsável por executar as cobranças dos devedores na cidade. Conforme dados apurados pelas frentes investigativas, o cobrador teria se revoltado após o agiota ameaçar reter o pagamento de seus serviços, sob a justificativa de que o funcionário havia obtido baixo índice de recuperação dos valores emprestados no município.
Durante o ataque com a katana, a vítima sofreu lesões traumáticas severas, incluindo fratura exposta de crânio e a amputação parcial de um dos braços. No imóvel, os policiais recolheram uma carteira contendo diversos cartões bancários emitidos em nome da vítima, que serão integrados ao inquérito como evidências das movimentações financeiras.
Trâmites consulares e translado do corpo
O caso gerou repercussão na comunidade local devido à proximidade com a data de aniversário da vítima. A esposa de Gabriel José deslocava-se de outro ponto do país em direção a Vilhena para celebrar a data quando foi informada sobre o assassinato do companheiro.
O corpo foi removido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização dos exames de necropsia e emissão do laudo cadavérico. A família informou que busca o suporte de órgãos consulares para tentar viabilizar o translado do corpo de volta à Colômbia. Caso não consigam arrecadar os recursos financeiros necessários para o transporte internacional, o sepultamento deverá ocorrer em um cemitério público de Vilhena. O autor do crime foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e transferido para a Casa de Detenção local.
Redação Diário O Norte
