A violência urbana e as táticas de monitoramento prévio por parte de quadrilhas especializadas mobilizaram guarnições de recobrimento na periferia da capital. Na manhã de quinta-feira (12), policiais militares lotados no Setor 15 do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) atenderam a uma ocorrência de roubo majorado pela restrição de liberdade e emprego de arma de fogo. Uma família foi mantida em cárcere sob intensa pressão psicológica no interior de uma residência situada na zona Leste de Porto Velho.
As características operacionais do crime apontam para um planejamento prévio dos infratores, que aguardaram a vulnerabilidade na rotina das vítimas para efetuar a abordagem.
Emboscada na saída do imóvel e violência contra menores
De acordo com o depoimento prestado pela proprietária do imóvel às equipes de radiopatrulha, a ação delituosa iniciou-se por volta das 7h, no momento em que ela abria os portões da residência para sair acompanhada de seus filhos. A família foi surpreendida por três indivíduos armados que saíram abruptamente do perímetro externo. Para dificultar o posterior reconhecimento facial e o trabalho dos retratos falados, um dos assaltantes utilizava um capuz.
Sob constantes ameaças de morte e exibição de pistolas, os criminosos renderam o grupo e forçaram o retorno de todos para os cômodos internos do prédio. Durante o período de contenção, as vítimas foram obrigadas a permanecer deitadas. Demonstrando agressividade exacerbada, um dos autores apontou o cano de uma arma de fogo diretamente contra a cabeça de uma das crianças, utilizando o menor como escudo e mecanismo de intimidação para evitar qualquer reação dos adultos.
Triagem de bens e perícia papiloscópica no local
Após neutralizarem a capacidade de reação dos moradores, os infratores realizaram uma varredura nas salas e quartos, selecionando objetos de valor de fácil transporte. O principal item subtraído na fuga foi uma motocicleta de alta cilindrada, modelo Honda CB 500X.
Após a dispersão dos assaltantes, a proprietária verificou o circuito fechado de televisão (CFTV) do imóvel. As gravações revelaram que o trio permaneceu oculto em uma área de vegetação densa e terreno baldio vizinho, monitorando a movimentação da casa horas antes de anunciarem o assalto.
Diante da constatação de que os criminosos tocaram em superfícies fixas, fechaduras e móveis sem a utilização de luvas protetoras, o comando do 5º BPM solicitou o acionamento emergencial da perícia papiloscópica da Polícia Técnico-Científica (Politec). Os especialistas realizaram o levantamento técnico de impressões digitais e fragmentos latentes para cruzamento de dados no sistema de identificação criminal. As vítimas foram formalmente orientadas a isolar os cômodos manuseados até a liberação pericial. Os arquivos digitais contendo a dinâmica da invasão e a rota de fuga foram arrecadados e entregues à Delegacia Especializada em Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), que assumiu a titularidade das investigações.
Redação Diário O Norte
