A crise estrutural provocada pelo deficit de profissionais de medicina na rede estadual de urgência e emergência motivou uma cobrança formal junto ao Poder Executivo. O deputado estadual Delegado Lucas (PL) encaminhou uma indicação oficial de caráter emergencial ao governador Marcos Rocha (União Brasil), com cópias ao secretário-chefe da Casa Civil, Elias Rezende, e ao secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos. O parlamentar pleiteia a contratação imediata de, no mínimo, seis médicos generalistas ou especialistas para reforçar as escalas de plantão do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho.
A iniciativa fundamenta-se em um relatório técnico de monitoramento que apontou um cenário de colapso iminente no atendimento da unidade, que figura como o principal centro de trauma e alta complexidade do estado, absorvendo pacientes da capital, do interior e de estados vizinhos.
Sobrecarga funcional e exaustão das equipes de plantão
De acordo com a justificativa apresentada pelo parlamentar, o quadro operacional do pronto-socorro foi severamente desidratado nos últimos meses devido a uma combinação de desligamentos voluntários, gozo de férias regulamentares e licenças médicas legais. Sem a reposição tempestiva dessas vagas, o contingente de médicos remanescentes passou a ser submetido a jornadas de trabalho exaustivas para cobrir os plantões desfalcados.
O deputado argumentou que a falta de pessoal compromete diretamente a segurança jurídica e a saúde mental dos servidores, que atuam sob forte pressão psicológica e com sobrecarga física. “É imprescindível a adoção de providências práticas capazes de recompor adequadamente o quadro médico da unidade, evitando que o ônus dessa deficiência estrutural continue recaindo diretamente sobre os profissionais que permanecem em atividade”, defendeu Delegado Lucas.
Aumento do tempo de espera e riscos aos pacientes crônicos
O documento protocolado na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) adverte ainda para as consequências diretas do deficit de pessoal sobre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A escassez de médicos plantonistas tem provocado o prolongamento do tempo de resposta na triagem e no primeiro atendimento de casos graves, como vítimas de acidentes de trânsito e pacientes infartados, cujo prognóstico depende da velocidade da intervenção médica.
“O tempo de resposta nos atendimentos é prejudicado, aumentando significativamente os riscos à segurança e à vida dos pacientes atendidos pela unidade hospitalar”, alertou Lucas Torres. Com a formalização do pedido, a expectativa do gabinete parlamentar é que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) utilize mecanismos de chamamento público simplificado ou remanejamento temporário de servidores de outras áreas administrativas para suprir o plantão do João Paulo II até a abertura de um novo concurso público.
Redação Diário O Norte
