A democratização do acesso à cultura e o desenvolvimento de ambientes com acessibilidade metodológica e arquitetônica pautaram as ações de assistência social na capital. A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), realizou uma sessão circense inclusiva de caráter inteiramente gratuito. O evento, executado em parceria institucional com o Circo Garcez, foi direcionado a pessoas com deficiência (PCD), indivíduos neurodivergentes e seus respectivos núcleos familiares.
A iniciativa foi estruturada para eliminar barreiras físicas, comunicacionais e sensoriais, aplicando na prática os conceitos de desenho universal e acolhimento institucional no segmento do entretenimento.
Adaptações sensoriais e engenharia de acessibilidade
Para acomodar o público composto por autistas, pessoas com Síndrome de Down, surdos e cidadãos com limitações motoras, a estrutura técnica do espetáculo passou por uma reformulação em seus parâmetros operacionais. Engenheiros de som e a equipe de iluminação do picadeiro ajustaram os decibéis e os efeitos visuais para mitigar riscos de sobrecarga sensorial e crises de hipersensibilidade auditiva ou luminosa.
Dentre os principais dispositivos de suporte e inclusão implantados na lona, destacam-se:
Modulação Acústica: Redução do volume dos alto-falantes e equalização de frequências para garantir o conforto de indivíduos com espectro autista;
Zona de Regulação: Instalação de um espaço lúdico e reservado, dotado de estímulos calmos, servindo de suporte para a autorregulação emocional de pacientes com necessidades sensoriais específicas;
Janela de Libras em Palco: Presença contínua de uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais integrada diretamente às cenas e performances, assegurando a compreensão integral dos diálogos e roteiros por espectadores surdos.
A sessão contou com o monitoramento de uma equipe técnica multidisciplinar da Semias, representada pela secretária adjunta, Tércia Marília; pela diretora de Proteção Social Especial, Poliana Miranda; pela diretora de Inclusão, Acessibilidade e Direitos Humanos, Lidiane Silva; e pela articuladora do Selo Unicef local, Marília Falcão.
Impacto comunitário e validação social
A recepção das famílias confirmou a eficácia das políticas públicas de inclusão. Graziela Dantas, intérprete de Libras que atuou voluntariamente na tradução do espetáculo, levou o marido, Rafael Guimarães, que é surdo, e elogiou o foco da municipalidade. “Uma iniciativa maravilhosa da Prefeitura. Promover oportunidades de diversão e lazer demonstra que a gestão municipal realmente está preocupada com essa população”, pontuou.
A opinião foi compartilhada por Marilena da Silva, moradora do bairro Nova Porto Velho e tutora de sua sobrinha, Jéssica Alves Lima, de 26 anos, que tem Síndrome de Down. “Foi uma oportunidade única, que não poderíamos perder. É uma atitude maravilhosa da Prefeitura de Porto Velho proporcionar uma opção de lazer diferenciada para as pessoas com deficiência”, relatou.
Cooperação público-privada e consolidação de direitos
O titular da Semias, Paulo Afonso, defendeu que o modelo adotado junto à companhia circense deve servir de matriz para futuros eventos artísticos na Região Norte. “Mais do que uma ação pontual, a sessão inclusiva do Circo Garcez sinaliza um horizonte de transformação. A Semias reafirma o compromisso de ampliar iniciativas como essa, entendendo que a inclusão verdadeira acontece quando todos podem viver juntos os mesmos momentos com respeito”, asseverou o secretário.
O prefeito Léo Moraes destacou que a consolidação dos direitos civis e o lazer acessível necessitam do engajamento de múltiplos atores da sociedade civil e do empresariado. “A parceria entre o poder público, as instituições especializadas e o setor cultural demonstra que a inclusão se fortalece quando diferentes atores da sociedade atuam de forma conjunta para ampliar oportunidades e assegurar o pleno exercício da cidadania”, concluiu o chefe do Executivo. Em reconhecimento ao cumprimento das diretrizes de responsabilidade social, a direção do Circo Garcez recebeu uma menção de agradecimento pela adaptação logística voluntária de seu aparato artístico.
Redação Diário O Norte
Com informações da SECOM/PVH
