O ordenamento macroestrutural dos canais de escoamento, a mitigação do passivo ambiental em microbacias urbanas e o resgate das áreas de preservação permanente norteiam as ações de infraestrutura na capital. A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb) — vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) —, superou a marca linear de 16 quilômetros de cursos d'água desobstruídos e revitalizados desde o início da atual administração do prefeito Léo Moraes. A marca histórica foi atingida com o avanço dos trabalhos operacionais concentrados na Bacia do Igarapé Grande, localizada no bairro Socialista, na zona Leste da capital.
A força-tarefa atua de forma contínua para desimpedir os leitos hídricos e eliminar focos crônicos de poluição antes do adensamento do ciclo chuvoso regional.
Operação na Bacia do Igarapé Grande e logística de remoção
As frentes de trabalho no bairro Socialista foram iniciadas no último dia 13 de junho e mobilizam um contingente fixo de 23 operários especializados, com o suporte de maquinário pesado para a retirada de resíduos adensados na calha do igarapé. O balanço preliminar da Sesb aponta o recolhimento de um volumoso montante de materiais descartados de forma irregular, incluindo eletrodomésticos avariados, carcaças de móveis, restos de materiais de construção civil e entulhos plásticos de alta densidade que bloqueavam o fluxo natural da água.
O secretário executivo da Sesb e geólogo, Giovanni Marini, realizou uma vistoria técnica na área e alertou para o impacto severo que o descarte antropogênico gera na dinâmica fluvial da cidade. "Porto Velho está presenciando a maior limpeza dos córregos urbanos. Todo esse material foi retirado deste local. Olha a quantidade de resíduos. Isso não pode ser normalizado, tem que acabar. A cidade está ficando diferente, está ficando mais limpa. As margens dos igarapés são para isso: para ter sombra, para ter frutas", ponderou o secretário, defendendo a regeneração das matas ciliares.
Prevenção de inundações sazonais e engajamento comunitário
A desobstrução contínua dos mais de 16 quilômetros de canais integra o plano de metas do município voltado à resiliência climática urbana. A eliminação de gargalos nos leitos dos igarapés expande a capacidade cúbica de vazão hidráulica, reduzindo de forma direta a pressão sobre as redes de drenagem adjacentes e prevenindo o transbordamento que historicamente isola vias públicas e afeta habitações em cotas baixas.
O prefeito Léo Moraes enfatizou que a eficiência do investimento público em limpeza mecanizada necessita do respaldo cívico da população no manejo do lixo domiciliar para garantir a perenidade das melhorias executadas. "Esse serviço ajuda a evitar obstruções, reduz transtornos durante o período chuvoso e melhora as condições desses espaços. Mas a conservação depende também da colaboração da população", sublinhou o chefe do Executivo. O cronograma permanente de desassoreamento e manutenção de canais seguirá para novas sub-bacias mapeadas pela Seinfra ao longo dos próximos meses.
Redação Diário O Norte
