A consolidação de um polo de alta resolutividade em saúde pública e o fortalecimento do ensino acadêmico na capital ganharam um desfecho institucional histórico. A Prefeitura de Porto Velho sancionou nesta terça-feira (3) a lei que autoriza a doação do prédio do Hospital Municipal para a Universidade Federal de Rondônia (Unir). A medida viabiliza a instalação do primeiro Hospital Universitário (HU) do município, fruto de uma articulação que envolve o Ministério da Educação (MEC), o Ministério da Saúde (MS) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A estrutura arquitetônica havia sido adquirida previamente pelo município com recursos próprios, o que eliminou a necessidade de construções do zero e reduziu significativamente o cronograma para o início das operações assistenciais.
Ampliação de leitos, especialidades e vazão à fila do SUS
O futuro complexo hospitalar foi planejado para atuar de forma complementar à rede de média e alta complexidade já existente, sem absorver ou substituir as funções do Pronto-Socorro João Paulo II, que permanecerá referenciado para urgências e traumas. Com uma projeção estrutural para ultrapassar a marca de 200 leitos regulados, o Hospital Universitário concentrará suas atividades em:
Serviços Ambulatoriais: Consultas especializadas em diversas áreas médicas para diagnóstico e acompanhamento;
Estrutura Crítica: Atendimento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e blocos cirúrgicos para procedimentos eletivos;
Vazão à Regulação: Redução direta das filas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS), priorizando o atendimento aos moradores da capital.
A secretária municipal de Saúde, Sandra Maria Petrillo Cardoso, destacou o caráter descentralizador e focado na demanda local que a unidade assumirá. “O diferencial desse hospital é que vamos priorizar a população de Porto Velho. Aquela pessoa que está na fila de espera aguardando um procedimento vai começar a ver o reflexo dessa doação”, detalhou a titular da pasta.
O prefeito Léo Moraes celebrou o desfecho jurídico da transição patrimonial, classificando o ato como o encerramento de um ciclo de demandas históricas da comunidade. “Hoje é o dia em que, legalmente, começamos a passar do sonho para a realidade. Não é um, não são dois, não são três anos. É um século de espera para termos um Hospital Universitário. O melhor está por vir em defesa do nosso povo”, sublinhou o chefe do Executivo. De acordo com o cronograma de transição, os primeiros atendimentos graduais à comunidade estão previstos para iniciar no segundo semestre deste ano.
Impacto na formação médica e na pesquisa acadêmica
Além do incremento na assistência direta à população, a inserção da Ebserh na gestão do complexo eleva o patamar de formação dos profissionais de saúde em Rondônia. O espaço passará a operar como hospital-escola, servindo de campo de estágio supervisionado, residência médica e desenvolvimento de pesquisas científicas para os acadêmicos da Unir.
A reitora da instituição de ensino superior, Marília Pimentel, evidenciou o ganho duplo para a sociedade rondoniense. “É mais um equipamento de saúde que vem para a população, mas que também terá um impacto muito positivo na formação dos nossos alunos. É um avanço para a saúde do nosso estado”, pontuou a gestora.
Para as lideranças estudantis do curso de Medicina, como o presidente do Centro Acadêmico, Matheus Neri, e o acadêmico João Felipe Xavier, a interiorização de um HU qualifica a fixação de novos profissionais na região Norte. A proximidade com a comunidade em ambiente de prática especializada permite a entrega de médicos mais sintonizados com o perfil epidemiológico e as necessidades humanas da população regional.
Redação Diário O Norte
