O caso apresenta versões conflitantes entre os envolvidos e é objeto de um inquérito instaurado pela Polícia Civil.
Divergência sobre faróis e início do confronto
De acordo com os dados registrados na ocorrência policial, o desentendimento teve início após o sargento reclamar da intensidade da luminosidade dos faróis de um automóvel que estava estacionado em frente a um estabelecimento comercial da região. A partir desse ponto, os relatos das testemunhas e da vítima divergem sobre a dinâmica dos fatos.
Um empresário de 42 anos, proprietário do local, afirmou em depoimento que o militar teria retornado ao comércio exaltado e tentado quebrar o espelho retrovisor do veículo, dando início à discussão verbal. Conforme a versão do comerciante, o sargento teria se identificado como policial e feito menção de sacar uma arma de fogo após a aproximação de populares, o que teria motivado uma reação do grupo e o início de uma luta corporal para desarmá-lo.
Versão do militar e socorro médico
Por outro lado, o sargento da PM apresentou uma narrativa diferente aos investigadores. O militar sustentou que, logo após se identificar formalmente como agente de segurança pública, foi cercado, encurralado e agredido fisicamente por diversas pessoas que estavam no recinto. Ele destacou que a luta física ocorreu estritamente em legítima defesa, na tentativa de impedir que os agressores subtraíssem sua arma de fogo institucional. O policial afirmou que ouviu o estampido do disparo no momento em que era linchado e, imediatamente depois, percebeu o ferimento.
Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e realizou os primeiros socorros no local. O sargento foi transladado às pressas para o Pronto-Socorro do Hospital João Paulo II. O diagnóstico médico apontou que o tiro atingiu a região do cotovelo, provocando uma fratura exposta com múltiplos fragmentos ósseos e severo dano vascular.
Procedimentos cartorários e investigação
Guarnições de área da Polícia Militar compareceram ao local e conduziram um dos suspeitos de participação nas agressões até a Central de Flagrantes. Na delegacia, o delegado de plantão optou pela lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelo crime de lesão corporal grave, por entender que o cenário inicial carecia de elementos técnicos e indícios suficientes de autoria para a decretação de uma prisão em flagrante imediata.
A Polícia Civil assumiu o comando das investigações e requisitou imagens de câmeras de monitoramento eletrônico do comércio e de residências vizinhas. O material audiovisual e os laudos periciais da Politec serão fundamentais para determinar de qual arma partiu o projétil, individualizar a conduta de cada participante e esclarecer se o disparo foi acidental durante o tumulto ou efetuado de forma intencional por terceiros.
Redação Diário O Norte
Com informações de Newsrondonia.com
