A quarta edição do projeto "Guajará Tem Etnoturismo", realizada na manhã do último sábado (18), na Aldeia Laje Velho, em Guajará-Mirim, reuniu visitantes de diferentes regiões do estado e também de outras unidades da Federação. O evento consolidou a iniciativa como uma importante ferramenta de valorização dos povos originários, preservação do patrimônio cultural imaterial e fortalecimento do turismo de base comunitária.
Desde a chegada à aldeia, os visitantes foram recebidos pelos indígenas com uma cerimônia de acolhimento, marcada por apresentações culturais e pela exposição de elementos tradicionais da comunidade da etnia Wari. Antes do início das atividades, o cacique reuniu todos os participantes em uma casa tradicional construída em madeira e cobertura de palha, onde apresentou as normas de visitação, orientações de convivência e esclarecimentos sobre a importância do respeito aos espaços sagrados, aos costumes e à organização social da comunidade.
Somente após a autorização formal da liderança indígena teve início a programação cultural, composta por apresentações de danças tradicionais, manifestações artísticas e atividades de interação cuidadosamente conduzidas pelos próprios integrantes da aldeia. Entre as experiências oferecidas estiveram a pintura corporal com grafismos tradicionais, demonstrações de práticas culturais e a degustação de alimentos típicos, incluindo o tradicional gongo, preparado conforme os costumes locais, além de produtos extraídos do babaçu.
Trilha ecológica e saberes ancestrais
Outro momento marcante foi o ritual simbólico de proteção realizado antes da entrada na trilha ecológica que conduz às cachoeiras existentes no território da comunidade. A cerimônia, conduzida conforme a tradição local, representa um elemento cultural de recepção e integração dos visitantes ao ambiente natural.
Após o percurso ecológico, os visitantes retornaram ao espaço central da aldeia, onde foi servido um lanche regional preparado exclusivamente com alimentos tradicionais. O cardápio incluiu peixe moqueado em folha de bananeira, peixe assado, mandioca, banana cozida, frutas da região, açaí produzido na própria comunidade e outros cultivos locais. O encerramento ocorreu com apresentações dos guerreiros da aldeia, que executaram danças cerimoniais representativas.
Desenvolvimento sustentável e turismo comunitário
O prefeito de Guajará-Mirim, Fábio Garcia de Oliveira (Netinho), participou das atividades e destacou que o fortalecimento do etnoturismo representa uma importante política pública de valorização cultural e desenvolvimento sustentável, permitindo a geração de oportunidades para as comunidades indígenas sem descaracterizar seus modos de vida.
O vice-prefeito Ricardo Lira Maia (Ricardinho) também comemorou o crescimento do projeto. Segundo ele, a quarta edição demonstra a consolidação do etnoturismo no município, com grupos organizados de diversas cidades de Rondônia e de outros estados já buscando informações na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para futuras visitas, evidenciando o potencial da iniciativa como instrumento de educação intercultural e preservação.
Redação Diário O Norte
