Silvio Persivo (*)
Anunciaram esta Copa do Mundo de 2026 como a maior de todas as Copas. Só posso dar uma grande gargalhada como resposta. Em termos de qualidade, foi uma das piores que já vi-e assisti a 15 e comentei 8 delas-, além de ter sido a pior em nível de arbitragem que presenciei.
Criaram mais regras, o que transforma a FIFA numa espécie de sucursal do Brasil: normas que existem para serem aplicadas conforme a conveniência de cada juiz. Houve erros de todos os tipos, inclusive com o apoio tecnológico do VAR.
A expulsão de Embolo é o retrato perfeito dessa arbitragem desastrosa. Em primeiro lugar, não é concebível usar o vídeo para revisar um cartão amarelo. Em segundo, a interpretação foi, no mínimo, péssima. Tudo bem retirar o cartão de Paredes. Mas punir o jogador que teve a jogada interrompida e que, no lance anterior, claramente levou um toco? Ainda que se admita uma suposta simulação, seria preciso levar em conta as consequências para a partida de um lance tão bobo. O juiz definiu o jogo ao expulsar o atleta, transformando o confronto num ataque contra defesa. Resultado: jogo ruim, juiz ruim, qualidade ruim. O ferrolho heroico dos suíços foi penoso de ver.
E Messi, exaltado como o maior jogador de todos os tempos, o que fez? Ninguém há de negar seu esforço, sua determinação, sua vontade e até mesmo seu sacrifício. Em momento algum desistiu de tentar; deu sua alma e seu suor para vencer. Mas e futebol? É risível compará-lo a Pelé. Basta procurar em toda a carreira do Rei chutes descalibrados e passes errados como os que Messi cometeu nesta partida. Claro que se pode alegar que parte de seus erros veio do desespero, da revolta por não conseguir marcar o gol, e que hoje ele está quase isolado na capacidade de criar. Este time argentino não é lá essas coisas. Contudo, é um retrato fiel desta Copa: dos times que estão chegando-França, Espanha, Inglaterra e Argentina-, nenhum foi brilhante. Uma análise isenta mostra que, apesar de tudo, os ingleses fizeram a campanha mais equilibrada entre todos.
O que vem por aí?
A semifinal entre França e Espanha colocará frente a frente o melhor ataque (16 gols) contra a defesa menos vazada (apenas 1 gol sofrido). Mas a Espanha também marcou 11 gols, e a França só levou dois. Ou seja, o páreo será duro. No histórico recente, as duas últimas partidas entre elas foram vencidas pelos espanhóis-mas quem garante agora?
A outra semifinal, entre Inglaterra e Argentina, conta com um histórico mais reduzido: o último jogo oficial remonta a 2002! Um resultado de mais de 20 anos atrás não significa absolutamente nada hoje-assim como a estatística de que, em todos os tempos, as duas seleções fizeram 14 jogos, com seis vitórias inglesas, igual número de empates e apenas duas vitórias argentinas. Se formos levar em conta o saldo de gols até aqui, a Argentina marcou 15 gols e sofreu 6, enquanto a Inglaterra fez 13 e também sofreu 6- um saldo ligeiramente favorável aos argentinos.
Para os supercomputadores, este é o duelo mais equilibrado da fase: os ingleses aparecem como favoritos, com 50,94% de chance de avançar, contra 49,06% da atual campeã Argentina. No outro confronto, a França é apontada como favorita para chegar à decisão, com 57,70% de probabilidade, contra 42,30% da Espanha.
Já o Vampeta, que acertou os quatro semifinalistas, prevê vitórias de Espanha e Argentina. Os videntes, de modo geral, enxergam favoritismo de Espanha e Inglaterra - esta última por uma questão física, já que, segundo eles, será um jogo tenso em que o desgaste corporal definirá o vencedor.
Nas oitavas, um pouco para contrariar a lógica, apostei em Marrocos, que me decepcionou, e Suíça, que quase apronta mesmo. Só acertei 50%. Então, meu palpite agora é: Espanha e Inglaterra. Possivelmente vou acertar, de novo, cinquenta por cento.
(*) Cronista esportivo que comenta os jogos da Copa em Um Estranho no Ninho (https://spersivo.blogspot.com/).
