Lançamento realizado durante a Agrotec representa avanço para valorização da origem do produto, geração de renda e fortalecimento das comunidades
A identidade de uma região também pode ser contada pelos produtos que nascem em seu território. No segundo dia da Agrotec 2026, a história do manejo sustentável do jacaré na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã ganhou um novo capítulo com o lançamento da Indicação Geográfica (IG) do Jacaré-Cuniã e a apresentação da Licença de Operação do abatedouro.
A iniciativa busca fortalecer a origem e a identidade do produto, agregando valor à cadeia produtiva e criando novas possibilidades de comercialização. A proposta também associa geração de renda, conservação ambiental e valorização do modo de vida das comunidades tradicionais.
Segundo o secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, a estimativa é de que existam mais de 35 mil jacarés na Resex, população que precisa ser manejada de forma controlada para garantir também a segurança dos moradores. A autorização contempla cerca de 900 abates, dentro de um processo regulamentado e acompanhado pelos órgãos envolvidos.
“Estamos transformando uma necessidade de segurança das comunidades em uma oportunidade de geração de renda, sempre por meio do manejo autorizado e sustentável. A Indicação Geográfica vai além da carne: ela conta de onde esse produto vem, apresenta a história das populações tradicionais, sua relação com a floresta e agrega identidade e valor ao Jacaré-Cuniã”, explicou Aleks.
O trabalho envolve a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semagric e Semtel, além do Sebrae, ICMBio e outros parceiros. A estruturação da cadeia produtiva permite que a carne proveniente do manejo seja comercializada dentro das exigências sanitárias, abrindo possibilidades para alcançar novos consumidores e mercados.
A Licença de Operação do abatedouro representa outro avanço nesse processo, proporcionando estrutura e segurança sanitária para o beneficiamento do produto e contribuindo para organizar a atividade desenvolvida pelas comunidades.
Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Douglas Bener, o reconhecimento fortalece quem vive e produz na região. “Estamos agregando valor a um produto genuinamente amazônico e, principalmente, criando oportunidades para as famílias que vivem no Cuniã. É desenvolvimento construído com responsabilidade, respeitando o meio ambiente e valorizando a nossa identidade”.
A expectativa é que a Indicação Geográfica ajude a posicionar o Jacaré-Cuniã como um produto associado não apenas à origem amazônica, mas também à história das comunidades, ao manejo sustentável e às características próprias do território onde é produzido.
O prefeito Léo Moraes disse que a iniciativa mostra como preservação e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos. “O Cuniã possui uma riqueza que vai muito além do produto. Estamos falando de história, tradição, sustentabilidade e de famílias que preservam esse território há gerações. Queremos transformar essa identidade em reconhecimento, oportunidades e renda, mostrando para o Brasil e para o mundo aquilo que Porto Velho tem de único”.
O lançamento aconteceu durante a programação da Agrotec 2026, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A feira segue até domingo (30), reunindo agricultura familiar, tecnologia, sustentabilidade, gastronomia e oportunidades de negócios.
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Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
