Foto: IA - Diário O Norte
O avanço da extrema pobreza e o aumento expressivo de pessoas vivendo nas ruas do Brasil voltaram a ser destaque no cenário político e econômico nacional. Segundo levantamento publicado pelo jornalista Cláudio Humberto, com base em dados oficiais do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, o país alcançou a marca de 392,4 mil pessoas registradas em situação de rua em junho de 2026.
De acordo com a publicação da coluna, para efeito de comparação, em dezembro de 2022 o número era de 198,7 mil. O colunista destaca que, se os moradores de rua do país formassem uma única cidade, essa população já seria maior do que a de capitais brasileiras como Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC).
A série histórica divulgada por Cláudio Humberto aponta ainda que, desde 2015, quando o CadÚnico contava 52,4 mil pessoas nessa condição, o indicador registrou um salto de 597%, período em que a população brasileira cresceu em média apenas 0,4% ao ano.
Aceleração nos registros e críticas à justificativa oficial
Ainda conforme os dados detalhados na coluna, o ritmo de entrada na população de rua acelerou nos últimos anos. Desde janeiro de 2023, a média de novos cadastros subiu para cerca de 4,6 mil pessoas por mês, mais do que o dobro da média verificada entre 2019 e 2022, que era de 2 mil novos registros mensais.
A coluna rebate a versão oficial do Governo Federal, que atribui o aumento dos números à “melhoria do cadastramento” e ao trabalho de busca ativa. O texto de Cláudio Humberto pondera que, se o crescimento fosse decorrente apenas da correção de subnotificações passadas, a curva de registros teria se estabilizado após as primeiras atualizações, o que não ocorreu.
Divergência entre contagens presenciais e o CadÚnico
A reportagem do colunista também coloca em evidência a discrepância entre as contagens físicas presenciais realizadas por prefeituras e os dados do sistema federal:
Rio de Janeiro: Enquanto o censo municipal da prefeitura contabilizou 8.195 pessoas nas ruas em 2024, o CadÚnico registrava 23 mil.
São Paulo: O censo de 2021 identificou 31,9 mil pessoas ou famílias em situação de rua, mas o cadastro federal na capital paulista ultrapassou os 104 mil registros.
A análise trazida na coluna sinaliza que o contraste entre a presença física nas calçadas e os números do cadastro social aponta tanto para o agravamento da crise socioeconômica quanto para a necessidade de maior controle e fiscalização nas informações prestadas ao CadÚnico, evitando distorções nos dados de programas sociais do país.
