O processo de regeneração ambiental e desassoreamento dos mananciais urbanos registrou um avanço prático no ecossistema da capital. Moradores e pedestres que circulam pelas margens do Igarapé do Botinha, nas proximidades do Parque da Cidade, em Porto Velho, constataram o reaparecimento de peixes e de pequenos mamíferos silvestres na calha do rio. A retomada da fauna local é apontada por especialistas como um indicador biológico da melhoria das condições físico-químicas da água, resultante de intervenções contínuas de engenharia sanitária.
A recuperação do curso d'água integra o planejamento de manejo de bacias hidrográficas urbanas conduzido pelo município.
Redução progressiva de resíduos e etapas de despoluição
O ordenamento e a despoluição do canal foram coordenados pela Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb), submetida à estrutura da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). O geógrafo e secretário-executivo da pasta, Giovanni Marini, explicou que os trabalhos foram divididos em três grandes etapas físicas e cronológicas para permitir a estabilização das margens e o escoamento natural do fluxo:
1ª Etapa (Desobstrução Pesada): Retirada de passivos ambientais volumosos descartados de forma irregular, como carcaças de geladeiras, pneus inservíveis e toneladas de garrafas PET, materiais que bloqueavam o leito e causavam barramentos artificiais;
2ª Etapa (Manutenção Corretiva): Remoção de novos focos de sedimentação e resíduos de menor porte, registrando uma queda acentuada no volume de material coletado pelas equipes de campo;
3ª Etapa (Consolidação e Entorno): Concentração dos serviços de capina, roçagem e contenção de encostas nas margens, sem a necessidade de dragagem interna, devido à ausência de novos depósitos de lixo no interior do igarapé.
"Agora, nesta terceira etapa, praticamente não retiramos lixo do interior do canal. Isso demonstra que a qualidade da área vem melhorando gradativamente", destacou Marini. O gestor pontuou que, além dos peixes na cabeceira da nascente, o monitoramento de campo registrou o retorno de espécimes de cutias e preás, mamíferos roedores que dependem da vegetação ciliar preservada para alimentação e nidificação.
Engenharia urbana e o conceito de regeneração ambiental
Os reflexos das frentes de saneamento estendem-se para além do aspecto visual, atuando diretamente na macrodrenagem da zona Leste da capital. A limpeza sistemática do leito previne o assoreamento severo, amplia a capacidade de vazão do manancial em períodos de alta pluviosidade e mitiga o risco de alagamentos nas áreas habitadas que circundam o Parque da Cidade.
A engenharia ambiental aplicada no local busca migrar do modelo tradicional de conservação para o modelo de restauração ativa de ecossistemas degradados. "Hoje buscamos trabalhar um conceito que vai além da sustentabilidade. Estamos falando de regeneração ambiental e regeneração urbana. Nosso objetivo é criar condições para que esses ambientes recuperem características próximas às naturais e retomem sua capacidade de regeneração", concluiu o geógrafo Giovanni Marini.
O prefeito Léo Moraes chancelou a recuperação do Igarapé do Botinha como uma meta atingida no cronograma de preservação dos recursos hídricos do município. "Quando vemos os peixes voltando a aparecer e a presença cada vez mais frequente de animais silvestres, temos a certeza de que estamos no caminho certo. Esse resultado mostra que cuidar dos nossos igarapés é cuidar da qualidade de vida da população e do futuro da cidade", declarou o chefe do Executivo. A municipalidade reforça que a perenidade dos resultados biológicos obtidos no igarapé depende do engajamento civil por meio do descarte correto do lixo doméstico e da interrupção de ligações clandestinas de esgoto.
Redação Diário O Norte
