A descentralização das análises laboratoriais e a incorporação de biologia molecular na rede primária de atendimento marcaram um avanço estrutural na rede pública de saúde da capital. A Prefeitura de Porto Velho oficializou a implementação da tecnologia de exame de DNA para a detecção do Papilomavírus Humano (HPV) diretamente na estrutura municipal. O equipamento de alta precisão foi instalado no Laboratório Central Municipal (LAM), reduzindo drasticamente o tempo de espera pela liberação dos laudos médicos e otimizando a triagem preventiva oncológica.
Com a autonomia técnica, a rede municipal ganha celeridade nas ações de rastreio e combate ao câncer do colo do útero, patologia fortemente associada às infecções crônicas por subtipos de alto risco do vírus.
Redução de prazos analíticos e fluxo laboratorial
Até a consolidação da nova estrutura tecnológica, o fluxo de exames dependia de apoio laboratorial externo. As amostras biológicas colhidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município precisavam ser acondicionadas e despachadas via transporte aéreo para análise nos laboratórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizados no Rio de Janeiro. Devido à logística interestadual e à demanda nacional da fundação, o prazo médio para a entrega dos resultados às pacientes era de 30 dias.
Com a calibração e o início da operação dos novos maquinários no LAM, em Porto Velho, o ciclo completo — que compreende desde o recebimento da amostra até a emissão do laudo no sistema — passou a ser concluído em aproximadamente sete dias.
A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, pontuou que o ganho de tempo é um fator determinante para o prognóstico clínico. "A redução do prazo dos resultados representa um ganho enorme para a rede municipal. Com essa tecnologia, conseguimos agilizar o acompanhamento das pacientes e fortalecer as ações de prevenção ao câncer do colo do útero, que continua sendo uma das principais causas de adoecimento entre as mulheres", explicou a gestora.
Amostragem epidemiológica e pioneirismo na saúde pública
O monitoramento epidemiológico preliminar da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) aponta que Porto Velho já havia enviado 326 amostras para a Fiocruz durante a fase de transição do programa. Dentro desse grupo amostral, composto por mulheres na faixa etária de 24 a 64 anos, 12 pacientes apresentaram positividade viral e necessitaram ser submetidas ao protocolo de citologia reflexa. O procedimento complementar aprofunda a investigação celular imediata para detectar possíveis lesões intraepiteliais precursoras de malignidade.
A incorporação do teste molecular gratuito de base populacional posiciona a capital rondoniense entre as pioneiras no cenário nacional a ofertar a tipagem de DNA HPV integralmente custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) municipal.
O prefeito Léo Moraes destacou o impacto humanitário e preventivo da modernização do parque tecnológico do LAM. "Quando investimos em tecnologia voltada à saúde, estamos investindo diretamente na qualidade de vida das pessoas. Essa conquista representa um grande avanço, com ela, é possível reduzir a ansiedade das pacientes e aumentar as chances de um tratamento eficaz. É mais uma ação que contribui para a transformação e desenvolvimento da saúde feminina em Porto Velho", defendeu o chefe do Executivo. As coletas seguem o cronograma regular de atendimento ginecológico e preventivo nas unidades de saúde das zonas urbana e rural do município.
Redação Diário O Norte
Com informações da SECOM/PVH
