Silvio Persivo (*)
Foi uma grande final de Copa do Mundo? Não, não foi. Foi uma final de um time só. Basta ver que a Argentina passou todo o primeiro tempo sem finalizar no gol da Espanha. E teve mais do que o dobro da posse de bola chegando a ter 20 finalizações sem nenhuma dos argentinos. Em suma: só deu Espanha. E isto ficou claro logo no começo quando ainda não tinha quatro minutos e já Lamine Yamal havia entrado duas vezes na área da Argentina com a bola dominada, embora suas finalizações tenham sido defendidas. Porém, se o controle de bola foi todo da Espanha não ia muito além disto. Paciência, toque de bola sem poder ofensivo, no entanto, a Argentina, não entrava no jogo e terminou a primeira etapa neste marasmo., apesar de, nos minutos finais, a Espanha ameaçar em uma triangulação que terminou com Oyarzabal batendo de primeira para uma defesa de Dibu. O técnico argentino mexeu tentando mudar alguma coisa. Primeiro colocando Otamendi, no final da primeira etapa, e, depois Paredes no intervalo (saíram Lisandro Martínez e Nico González). Não adiantou muito e até mexeu de novo, antes dos 10 minutos, sem conseguir frear a pressão espanhola, que não cessava. Dibu foi quem apareceu num perigoso chute de Olmo. O time de De La Fuente, trocando de passes, por duas vezes desde o meio de campo até a área, foi parado, uma vez por Otamendi e Montiel em outro lance. Trocaram Oyarzabal por Ferran Torres que cabeceou em cima do goleiro. E o tempo passando sem o gol sair motivou novas trocas entrando, aos 29 minutos, Nico Willian e Merino. Nada se alterava: controle total dos espanhóis, sem chances efetivas de gol, deixando o torcedor inquieto. Até porque veio a única oportunidade da argentina num cruzamento fechado de Simeone, que Unaí Simón pegou. O ritmo do jogo não mudava mesmo com o tempo normal chegando ao fim, mas, nos acréscimos, Enzo Fernández fez uma falta duríssima, recebendo o segundo amarelo e sendo expulso. Houve uma última chance antes da prorrogação numa falta em frente à área. Yamal bateu relativamente bem, com algum perigo, mas Dibu espalmou. E foi só. Se com 11 a situação estava ruim para a Argentina, com 10 somente piorou. A única alternativa foi se segurar para levar para os pênaltis. E, com troca de passes, o ataque espanhol foi sufocando a Argentina sem conseguir fazer o gol. Numa jogada lançaram a bola para Nico Williams, que não cabeceou direito, mas, mesmo assim obrigou Dibu a fazer uma defesa extremamente difícil. Em outro lance o gol saiu com Merino girando em cima de um zagueiro e a bola sobrando para Williams, que marcou. O árbitro anulou e nem se deu ao trabalho de examinar pelo VAR. Merino tornou o drama mais dramático ao conseguir num cruzamento de Nico Williams cabecear para fora. E lá se foi a primeira parte da prorrogação. No começo do segundo tempo da prorrogação, Lamine Yamal cruzou e a bola com Nico tocando para trás e encontrando Ferran Torres para encher o pé e fazer o gol da partida. A ironia é que Ferran fez seu único gol na Copa se tornou o herói da final. Segundo disse "Hoje o destino estava escrito". Se estava, ou não, não sei, mas que a Espanha mereceu vencer não tenho dúvidas.
(*) Um Estranho no Ninho (https://spersivo.blogspot.com/).
