Silvio Persivo (*)
Era esperado um jogo difícil. Ocorre que logo no início da partida, aos dois minutos, Rice fez um bonito gol que já deixou a França em desvantagem. E o time francês não parecia muito empenhado no jogo, enquanto os ingleses suavam a camisa. O resultado se viu no campo com a Inglaterra dando um passeio. De cabeça num escanteio Konsa fez 2x0 e, depois Saka (duas vezes) marcou em jogadas que pareciam não ter adversários tal a facilidade. O primeiro tempo teve a equipe de Thomas Tuchel totalmente dominante, não tomou conhecimento dos franceses e foi para o vestiário no intervalo com vantagem por 4 x 0. Ainda muito barato para os franceses. Não se sabe o que um Didier Deschamps, visivelmente descontente, falou nos vestiários antes de fazer quatro mudanças, mas, o que se viu foi que a França voltou outra e veio com todo gás. Acuada, a Inglaterra era incapaz de conter o ritmo francês no ataque. Em situação parecida ao que sofreu contra a Argentina, nas semifinais, mostrava incapacidade de se revigorar. Logo aos três minutos de jogo do segundo tempo, Mbappé marcou: 4x1. Os franceses mantiveram o ritmo e, Barcola marcou o segundo, mais cinco minutos depois, aos 65 minutos, Mbappé fez o terceiro: 4x3. Depois da pausa para hidratação o jogo continuou aberto. A Inglaterra colocou Bellingham que quase chegou ao quinto gol com uma defesa do goleiro. E com muitas das estratégias defensivas postas de lado, o jogo partiu para ficar imprevisível até o fim. Com o perigo de sempre sair um gol de qualquer lado. No contra-ataque, Olise perdeu uma chance inacreditável depois de tabelar com Dembelé. Até que aos 84 minutos, Spence foi derrubado por Gusto na área. Pênalti que Saka cobra bem deslocando o goleiro parae marcar o seu hat trick. O placar ficou de 5 a 3 para os ingleses. Quando se pensava que nada mais aconteceria, a 1 minuto do fim do jogo, depois de uma bola roubada e assistência de Upamecano, Dembelé invadiu a área, limpou para a esquerda e chapou bem no canto do goleiro; 5x4. E ainda teria mais, pois Jude Bellingham driblou excepcionalmente dentro da área e meteu a bola no canto com toda classe. Inglaterra 6x4. Fim de papo. Foi um jogo impressionante repleto de gols, de alternativas, para calar quem diz que o terceiro lugar não vale nada. E, de quebra, garantiu a quebra de uma série de recordes. Primeiro, por ser a partida com mais gols nesta edição da Copa e a com mais gols na história das disputas de terceiro lugar. Também com os dois gols marcados, Mbappé se isolou na artilharia da Copa, se tornou o primeiro jogador a alcançar 10 gols em uma edição desde Gerd Müller, em 1970, e o maior artilheiro da história das Copas. O camisa 10 francês também assumiu o posto de artilheiro isolado desta Copa, com 10. Ele foi o maior goleador do Mundial de 2022. Amanhã, ainda pode ser superado por Messi, mas será uma missão difícil. Por incrível que pareça em quantidade de gols, qualidade do futebol foi a melhor partida desta Copa.
